Mas, voltando ao pequeno Roger, menino peralta, gostava de brincar na rua, os pais se separaram e a Tia Preta passou a ajudar a mãe do Roger na criação e educação dos pimpolhos... Tia Preta era educadora, professora mesmo! E exercia com muita autoridade esse papel com os sobrinhos queridos, e lá estava inserido o endiabrado Roger.
Roger em suas reminiscências, começa a revelar um pouco de sua história, um gole... e mais outro de uísque, ele vai soltando, ou melhor, vai liberando em borbotões as lembranças de um tempo que ele foi muito feliz...
Ele pede ao garçom um duplo generoso, o garçom não escutou direito e aproxima para anotar o pedido e aí o Roger diz: - Mais uma dose garaio!
Devidamente hidratado pelo malte, ele retoma a sua odisséia, vai dizendo que onde hoje funciona a FAP, ali no entorno da faculdade existiam uns barracos e um pessoal muito bacana... Ele pára por um momento, o olhar perdido no horizonte, toma mais um gole e percebo que os olhos dele estão a marejar das recordações. Tento desconversar, pensando que estaria ajudando, mas, o Roger quase monossilábico e com o rosto molhado de emoção, suspira e diz: - Pô mermão!
Desde que li Antoine de Saint-Exupèry aprendi que "É tão misterioso, o país das lágrimas!", o Roger se derramava...
Após os soluços, Roger voltou a falar sobre a sua infância, articulava suas idéias com a agilidade de um guepardo, não havia espaço para interrompê-lo e ele seguia dizendo: - Teve um dia que na hora da chuva da tarde, eu fui correr com a turma da "ganhação", os caras corriam na chuva numa boa e eu ia só na moral... Mas, quando passei correndo em frente de casa a Tia Preta viu e me chamou.
O Roger fez uma pausa mais longa, me contive e deixei que ele continuasse, agora falava com a voz embargada: - A Tia Preta gritou pra mim, vem cá meu filho! E quando eu entrei em casa, a tia estava com a mão direita pra trás, e ainda disse - vem cá vem menino danado! Quando me aproximei entendi o que iria acontecer, a tia estava com uma vassoura de cacho de açaí na mão, eu estava sem camisa, ela não contou duas vezes e deu-me uma lambada nas minhas costas... Pô mermão! Eu senti tanta dor que acabei mijando na calça, e a Tia Preta sem pena de mim ainda deu mais outra ripada acompanhada das seguintes palavras - não te quero com amizade com pivetes!
Depois do choro convulsivo, o Roger passou a manga da camisa no rosto enxugando as lágrimas e sentenciou: - Santa vassoura de cacho de açaí.
Suspeito que ele quis dizer que aprendeu muito com a Tia Preta, né?
Vou providenciar uma dessas vassouras de presente para o Roger, que tal idéia?
6 comentários:
Passei só para deixar um abraço, já que o tempo e disposição não me permitem mais.
vc se esqueceu de mim?
beijos
Adorei os cachinhos de açaí, lindos!
Elvira,
Que Deus proteja o teu pai!
Beijos,
Pedro
Nilza,
Não me esqueci de ti...
Mari,
Esses cachinhos são teus.
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