quinta-feira, agosto 13, 2009

Notícias do Juca

A vida numa correria e lá se vai um mês sem o nosso amigo Juca, o balcão do boteco que ele adorava (Ranulfo), o cantinho onde ele ficava urubuservando o movimento da rua, eterno vazio... ainda quando alguém inadvertidamente senta no lugar que era dele, o vazio vai mundiando o entorno.
A missa de um mês de falecimento do Juca foi hoje às 18h30 na Igreja do Rosário da Campina, celebrada pelo Padre Cláudio.
Para eternizar o nosso amigo Juca, o vereador José Scaff Filho do PMDB apresentou Projeto de Decreto Legislativo criando a “Medalha Honorífica Juvêncio Arruda”, esta honraria será concedida anualmente, na data de 17 de maio (Dia Mundial da Internet), para pessoas com atuação destacada na área do jornalismo regional com difusão via internet, empregando mídias de texto, áudio, vídeo, imagem ou quaisquer outras formas de comunicação digital. O projeto propõe-se estimular o jornalismo virtual em nosso Estado, em especial o que veicula matérias regionais.
Palavras do Vereador José Scaff no encaminhamento do Projeto:
“Juvêncio foi um dos pioneiros em nosso Estado a divulgar idéias, fatos, comentários, análises políticas e notícias de bastidores na celeridade da Internet, levando aos seus milhares de leitores, quase em tempo real, informações que só teriam conhecimento no dia seguinte, lendo os jornais de papel. Tudo isso feito democraticamente, dando ao internauta o direito de expor sua opinião sobre os mais variados assuntos, mesmo quando discordava dos conceitos de Juvêncio ou Juca, como era chamado pelos amigos. Juca, com seu “Blog 5ª Emenda”, divulgava a mídia, a política e a cultura de nossa terra. Seu desaparecimento abre enorme e irreparável lacuna.”


O Andrezão (gosto desse cara) deixou um comentário, na verdade um relato emocionante sobre os últimos dias do nosso Juca... Com o texto do André quem conheceu o Juca é dominado pela emoção, as linhas são lapidadas por quem entende do ofício de escrever, retirei o texto da caixinha de comentários e compartilho com todos os amigos da blogosfera, a foto do Juca foi captada no Restaurante Terra-do-Meio e foi publicada no "5ª Emenda".

"JUVÊNCIO ARRUDA
André Costa Nunes andré@terradomeio.com.br

Conheci o Juvêncio faz menos de um ano. Não houve sequer tempo para chamá-lo de Juca. Lafayette apresentou-me, em um certo fim de tarde de meio de semana, no bar do Ranulfo, colado ao Quem São Eles.
– Juca, este é meu pai, de quem te falei.
Pronto. Virou amigo de infância, de juventude, embora quase vinte anos separassem nossas infância e juventude. Acho que ele levava muito a sério o fato de ser juvêncio. Daí para a Terra do Meio, ficar de bubuia nas águas do Rio Uriboca foi um pulo. E parecia que era frequentador do lugar há vinte, trinta anos. Desde sempre. E haja irreverência, casos e causos.
Fizemos planos e mais planos para o seu Quinta Emenda. Blog, a mídia do futuro, concordávamos. E o futuro chegara. Concordávamos também. No mais, discutíamos e, por vezes discordávamos. Um citadino com extrema sensibilidade cabocla, coisa que eu, cabocão xinguara, buscava, até com impaciência, nos meus amigos urbanos.
Juvêncio, por que não Juca? estava almoçando comigo na maloca à beira do Uriboca. Fora trazido pelo Lafayette, que, sem eu saber, convidara o irmão, André, que é médico. André chegou quando a caldeirada já estava no meio. Abriu uma cerveja e alimentou o papo.
Quando esperávamos a sobremesa, queijo de búfala com doce de cupu e castanha, quase com displicência, pegou os exames do Juvêncio. Ele os levara para isso mesmo, para uma avaliação do André. Pneumologista, pegou logo a radiografia do tórax. Antes que a olhasse contra o sol, Juvêncio ainda brincou:
– e aí, cara, quantos meses ainda tenho de vida?
Acho que só eu notei o tremendo esforço que o André fez para não demonstrar a angústia que sentia.
Sem responder perguntou:
– estás dirigindo?
– não, vim na carona do Lafa.
– vamos comigo.
Conversamos no caminho. Juvêncio ainda insistiu em perguntar alguma coisa que não me lembro. O Lafayette ficou mudo. Os três, em silêncio, dirigiram-se para os carros estacionados à sombra da mangueira.
A sobremesa chegou. Ninguém comeu. A cerveja esquentou. Fiquei só. Eu e meu rio, com aquele nó na garganta e um sentimento profundo, indefinido, mundiado, que só os cabocos velhos sabem sentir.
Poucos dias depois, não me lembro quantos, o André me telefonou do hospital. Acabara de assinar o atestado de óbito do Juvêncio. Disse duas palavras e calou. Ainda devemos ter ficado um bom tempo com o celular ao ouvido. Nada mais havia a dizer ou a perguntar.

"Requiescant in pace", camarada."

2 comentários:

Anônimo disse...

Esta foi aquela sexta-feira , depois da nossa quinta lembra Dom? , onde eu cruzei com eles , eu chegando e eles saindo do Terra do meio.
Abraços
Tadeu

citadinokane disse...

Tadeu,
É isso mesmo.
Vosmecê chegando e o nosso Juca partindo...
Saudades de ti, mermão!
abraços na patroa e nas crianças.

Pedro