domingo, setembro 06, 2009

"Sinto Vergonha de Mim" por Cleide Canton

O Vieirinha de Marapanim enviou-me o e-mail com o texto - "Sinto vergonha de mim", e antes mesmo de iniciar o texto, o velho e bom amigo Vieirinha dizia que Ruy Barbosa sabia o que falava... E ele (Vieirinha) continuava dizendo: "como professor sinto que é muito atual a mensagem", e descobri um certo tom de melancolia nas linhas tracejadas pelo amigo.
Calmamente li o texto e imediatamente percebi que não era da lavra do "cabeçudo" Ruy Barbosa, elementar meu caro Watson! O Ruy viveu grande parte da vida no Brasil Império, entendo que não teria incorporado essa vibração ao escutar o hino nacional e... as palavras "jamais usei a minha bandeira para enxugar o meu suor ou enrolar meu corpo na pecaminosa manifestação de nacionalidade", não faziam parte do linguajar de um homem culto como Ruy Barbosa, tenho certeza que não faziam parte dos hábitos ao tempo que Ruy Barbosa viveu, com certeza!!!
Bingo!!!
Acertei. O texto não é de Ruy Barbosa, mas da poetisa Cleide Canton.
Pesquisei na internet e confirmei a minha suspeita.
Inclusive o apresentador da TV Cultura - Rolando Boldrin, havia cometido o erro e fez a retificação em Rede Nacional, veja abaixo, ok?!

Sinto vergonha de mim! (Cleide Canton)
"Sinto vergonha de mim!
Por ter sido educadora de parte desse povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
Que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o "eu" feliz a qualquer custo,
buscando a tal "felicidade"
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos "floreios" para justificar
atos criminosos,
a tanta relutância
em esquecer a antiga posição
de sempre "contestar",
voltar atrás
e mudar o futuro.

'Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo
que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer...

Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.
Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir meu Hino
e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.

Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti, povo brasileiro!"

"De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes
nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
a rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto". (Ruy Barbosa)


8 comentários:

elvira carvalho disse...

E eu devia sentir vergonha de mim, por não ser capaz de escrever algo assim relativamente ao povo português...
Adorei o texto que não conhecia.
Um abraço e bom Domingo

David Carneiro disse...

"Não chore ainda não que eu tenho a impressão que um samba vem ai, um samba tão imenso que eu às vezes penso que o próprio tempo vai parar pra ouvir..."

citadinokane disse...

Elvira,
Agradeço-te pela força que compartilhas conosco, obrigado!
Precisamos de vergonha aqui e pelo visto em além-mar, né?!
abraços e uma ótima semana.
Pedro

citadinokane disse...

Grande Irmão!
Por onde andas?
Estamos entrando no estúdio para gravar o novo CD da Comitiva...
Foste abduzido por seres de outras dimensões?
Em relação ao novo CD estamos na fase de pré-produção, escolha de repertório, novas composições, novos arranjos... Este CD eu e o Rogério estamos na produção executiva.

"Luar, espere um pouco
Que é pro meu samba poder chegar
Eu sei que o violão
Está fraco, está rouco
Mas a minha voz
Não cansou de chamar..."

Abraços

Anônimo disse...

Olé , olé , olá.
Pronto contribuí.
Abraços nos dois fidumaeguas.
Tadeu

Anônimo disse...

Contribuí errado , sou fraco mesmo leia-se:
Olê , olê , olá.
Tadeu

citadinokane disse...

Tadeu,
Olé neles, mano!
Ahahaha...

citadinokane disse...

Ei mano Tadeu!
Tá tudo dominado, sei que é olê olê...
abraços