sexta-feira, outubro 09, 2009

Certas Canções II

Não sei bem o que acontece com as pessoas.
Estava com o amigo Rogério no carro e coloquei para tocar o CD com a música do Gonzaguinha: - Ponto de Interrogação.
A música rolando e de repente, e como diria o poetinha Vinicius: - Não mais que de repente!
O Roger começou a lagrimar... levava a mão direita com muita rapidez para que os dedos enxugassem as lágrima... Lágrimas, Saint-Exupèry já havia comentado sobre o país das lágrimas no opúsculo "Pequeno Princípe", e como misterioso é este país.
Pô! O cara ficou inconsolável e até muito estranho quando a música rolando chegou no trecho:
"Tal qual um menino tão só no antigo banheiro
Folheando as revistas, comendo as figuras
As cores das fotos te dando a completa emoção"
Falei em cima, sem pestanejar: - Mermão! Qualé?! O que está acontecendo contigo, garaio?!
Ele com os olhos vermelhos, respondeu: - Cara! Isso fez parte da minha vida...
Ele não conseguia completar a frase, parei o carro. Ele? Chorava copiosamente, puxou a respiração, soluçando disse: - Não sei porquê, mas fico emocionado com esse trecho.
Não sou psicólogo, mas... Freud explica, né?!
Com certeza a música do Gonzaguinha marcou uma passagem da vida do velho e bom Rogério... uma pessoa muito sensível, sensível demais...
Ponto de Interrogação (Gonzaguinha )
Por acaso algum dia você se importou
Em saber se ela tinha vontade ou não
E se tinha e transou, você tem a certeza
De que foi uma coisa maior para dois
Você leu em seu rosto o gosto, o fogo, o gozo da festa
E deixou que ela visse em você
Toda a dor do infinito prazer
E se ela deseja e você não deseja
Você nega, alega cansaço ou vira de lado
Ou se deixa levar na rotina
Tal qual um menino tão só no antigo banheiro
Folheando as revistas, comendo a s figuras
As cores das fotos te dando a completa emoção
São perguntas tão tolas de uma pessoa
Não ligue, não ouça são pontos de interrogação
E depois desses anos no escuro do quarto
Quem te diz que não é só o vicio da obrigação
Pois com a outra você faz de tudo
Lembrando daquela tão santa
Que é dona do teu coração
Eu preciso é ter consciência
Do que eu represento nesse exato momento
No exato instante na cama, na lama, na grama
Em que eu tenho uma vida inteira nas mãos...

Nenhum comentário: