domingo, outubro 18, 2009

Maitê Proença pisou na bola.

Sempre busquei pautar no blog uma atitude de respeito a todos os povos e de tolerância religiosa, acrescentando-se o repúdio à homofobia.
Sinto a necessidade de reproduzir o artigo de Rogério Mattos Costa da Agência Carta Maior,ele discorre sobre as ofensas aos portugueses lançadas pela atriz Maitê Proença, lamentável, lamentável...

Ofensas aos portugueses: Maitê Proença apenas repetiu a mídia

Em uma matéria exibida no programa Saia Justa (GNT/Globo), a atriz Maitê Proença cometeu uma série de grosserias contra os portugueses. Para o colunista Clóvis Rossi, da Folha de São Paulo, seria algo normal, fruto do preconceito que brasileiros e portugueses sentem uns dos outros. A atriz não expressou, na verdade, um preconceito que nasceu não se sabe de onde, mas sim vários conceitos alimentados pela mídia brasileira. Um processo de permanente negação das origens, de desprezo pelo nosso passado, que sempre quis nos ensinar a odiar ter sido colônia de Portugal e não da Inglaterra. O artigo é de Rogério Mattos Costa.

Rogério Mattos Costa, de Madri

Data: 14/10/2009
As grosserias de Maitê Proença, exibidas no programa Saia Justa (GNT/Globo) foram algo absolutamente normal. Essa é a conclusão a que chega Clóvis Rossi, da Folha de São Paulo, para quem, tudo seria culpa do preconceito que brasileiros e portugueses sentem uns dos outros, espontaneamente.
Permita-me discordar, meu caro Clóvis.
Maitê não expressou um preconceito que nasceu não se sabe de onde, mas vários conceitos criados pela mídia brasileira (veja o vídeo).

Ela apenas colocou no vídeo toda lavagem cerebral a que quase toda a população brasileira é submetida há várias décadas, desde a escola primária até quando lê um artigo seu e de outros colegas seus que ainda escrevem para a Folha e outros jornais do gênero.
Um processo orquestrado, coordenado, de permanente negação das origens, de ataque à auto-estima, de desprezo pelo nosso passado, que em outras palavras, nos quis sempre ensinar a odiar ter sido colônia de Portugal e não da Inglaterra.
Para quê?
Ora, para nos fazer aceitar, mais fácil, sermos um tipo de colônia dos Estados Unidos, que “teria tido mais sorte” em ter sido colonizado pela Inglaterra, mas que agora poderíamos “imitar”, sendo colônia da colônia dela!
Um processo que consiste em falar mal o dia inteiro, do Brasil, pela boca de centenas de “jornalistas” e “colonistas” regiamente pagos por prêmios, concursos e convênios de universidades americanas com seus jornais de origem.
Um processo que nos leva a odiar ter nomes como Ferreira, Lobo, Oliveira e não Smith, Lee ou Carter.
A não valorizar nosso próprio país, nossos costumes, nossos heróis, nossa língua, nossa forma calorosa e afetiva de tratar o diferente e principalmente, ao estrangeiro.
Um processo de lavagem cerebral que nos ensina a principalmente, a odiar a verdadeira mistura de raças que é o Brasil, apontando-a inclusive, como a fonte de nossa desgraça. Quando o mundo inteiro saúda e reconhece com enorme vantagem competitiva do Brasil.
Maitê nada mais fez do que, em público e ao vivo, repetir aquilo que não só as suas decadentes colegas de programa na Globo, mas mesmo nossas vetustas mestras, coitadas, já tinham que nos dizer, desde que éramos pequenos: ser descendentes de Portugal é a fonte de todos os nossos males.
Fruto da dominação cultural e ideológica a que sempre esteve submetido o Brasil, que Nelson Rodrigues tão bem chamou de “complexo de vira-lata”, aprendemos entre uma lição de Historia e outra que todo nosso atraso vem do fato de termos sido colonizados por portugueses “criminosos, degredados, sifilíticos, assassinos” .
Enquanto isso, para os Estados Unidos, segundo nossos livros didáticos, teriam sido mandados piedosos “protestantes perseguidos em seu país”, todos “peregrinos religiosos”do Mayflower, que confraternizaram no dia de ação de graças comendo um peru presenteado por seus amigos índios, com quem se davam maravilhosamente bem.
Segundo essa surrada tese racista, seria do próprio povo e não da elite brasileira, a culpa dos 502 anos de desgoverno em que essa elite governou sozinha, como quis. Mandando até naquilo que nossas crianças, como eu e a Maitê já fomos um dia, iriam aprender na escola.
Daria assunto para muitos artigos desmentir todas essas teses racistas, anti-brasileiras, mas vou tentar desmentir pelo menos duas delas.
A mais importante delas é que se Brasil e Estados Unidos foram descobertos quase na mesma época, porque razão o Brasil é assim e os Estados Unidos são a maior potência da Terra que já existiu?
Eles gostam de explicar que isso se deve a que os Estados Unidos foram colônia da “Old Albion”, da gloriosa Inglaterra, composta unicamente de orgulhosos anglo-saxões, uma “raça pura” enquanto que nós, ora fomos apenas um quintal mal explorado e bagunçado de um reinozinho de segunda, plantado na ponta da Europa, que já era uma mistura de godos, visigodos, suevos, árabes, romanos, lusitanos, etc...
Vamos aos fatos.
Abra o Google e coloque as palavras entre aspas “english pirate” e anote o numero de verbetes que irá localizar. Eu encontrei 65.440 páginas. Agora coloque “american pirate” e verá 78.900 páginas. Tecle “portuguese pirate”. Eu encontrei 13.800 verbetes. O que isso significa? Quase nada? Significa apenas, amigos leitores, que nossa “História”não conta mas o processo de acumulação pré-capitalista que permitiu à Inglaterra e Estados Unidos acumularem riquezas para construir uma marinha mercante e de guerra que lhe permitisse a supremacia dos mares, foi construída e acumulada, em grande parte, pela repugnante atividade da PIRATARIA, principalmente contra navios portugueses e espanhóis.
E inglês? Você lembra de quem era “Sir” Francis Drake, The Queen’s Pirate?
A pirataria nos Estados Unidos e Inglaterra era tão comum que a própria rainha Elizabeth I tinha-o como seu próprio pirata para roubar e matar por ela. Isso também está nos livros. Mas nossas escolas e professoras não contam. Até hoje.
Aos que duvidarem faço um desafio: digam o nome de um único pirata português. Não vão encontrar. Pode ser até que tenham existido. Mas eram perseguidos e capturados pelo estado português e não nomeados como cavalheiros , ou “Sir”, como foi Drake , um verdadeiro monstro de crueldade, nomeado pela própria rainha da Inglaterra, que o contratou.
Vamos à outra grande mentira: a Inglaterra era a salvadora dos negros escravos, que os odiosos portugueses comercializavam.
Novamente vamos aos fatos. Ao Google novamente.
Escrevam lá : “irish slavery” e verão 16.800 verbetes.
Se explorarem um pouco as páginas que abrir-se-ão diante de seu solhos, vão saber de algo que nunca foi dito em nenhum livro de historia brasileiro: os ingleses não só foram os que iniciaram o tráfego de escravos da África para a América do Norte e do Sul, mas foram os ingleses que iniciaram o tráfego de brancos.
Já por volta de 1640, por ordem do rei e depois de Cromwell, o ditador da república inglesa, foram expulsos de suas casas, aprisionados e vendidos como escravos mais de 330.000 irlandeses, homens, mulheres e crianças.
Ainda em 1800, enquanto os ingleses “patrulhavam as águas do Brasil, à busca de libertar escravos”, na Irlanda, meninas e moças eram aprisionadas em casa e vendidas como escravas no norte da África, por mercadores apoiados pelas tropas britânicas.
Ou seja, a riqueza da Inglaterra também veio de roubar a terra, as plantações, as casas, as estradas, pontes, igrejas, castelos da Irlanda e vender seus homens, mulheres e crianças para fazendeiros, amigos de piratas, ou eles próprios piratas, estabelecidos como nobres no “Novo Mundo Inglês”.
Duvidam? Experimentem clicar: why is irish slavery is never talked about.
Maitê Proença não é culpada das grosserias e baixarias que cometeu. Ela é apenas mais uma vítima das elites intelectuais do Brasil e da mídia que a serve-utiliza cujo único objetivo é manter-nos eternamente com a “moral baixa”.
Uma mídia que deseja que não saibamos o grande país que temos, o excelente conceito que nossos técnicos, profissionais, empresas, artistas, escritores, cientistas temos lá fora.
Uma mídia mais do que racista: anglófila e americanófila, que detesta não só tudo que seja português, mas que tenha qualquer origem latina.
Para quê isso? Ora para dominar-nos mais facilmente, explicando por nossa origem de sangue nossas desigualdades sociais e não pelo domínio de uma elite má, egoísta, cheia de soberba e politicamente mesquinha e atrasada.
Num outro artigo volto ao tema para mostrar, com endereços de pesquisa na web, mais verdades que nos tem sido encobertas nos últimos 502 anos.
Aproveitem e pesquisem bem as dicas que deixei acima.
Vocês irão ter um baita susto, garanto.
Ainda bem que agora existem essas ferramentas de busca! Aproveitem meninos e meninas!
Não deixem a mídia golpista fazer com vocês o que fez com a Maitê Proença!

16 comentários:

as-nunes disse...

Pois é, Pedro.
E nós, por aqui, todos melindrados uns outros a tentar não prestar qualquer atenção ao assunto deste lamentável vídeo!
Mas não é fácil.
Não se goza com os sentimentos dum Povo (por muitas asneiras que tenhamos feito ao longo dos séculos, seremos sempre, Portugueses e demos novos Mundos ao Mundo...).
Mas a D. Maitê parece que até está arrependida desta palhaçada em que colaborou. E acabei por ter pena dela. A rebaixar-se em vídeo no YouTube a pedir desculpa, a dizer que até é descendente de Portugueses, etc.
Olha a novidade! A mistura genética que existe no Brasil e que se está a espalhar pelo Mundo inteiro é uma realidade insofismável. Nua e crua.

Brincadeiras de mau gosto.

Adiante...que agora já andamos noutra onda com o Saramago de candeias às avessas com os Católicos convictos e com a Igreja em especial. Eu penso que a Saramago talvez não ficasse nada mal ter um pouco mais de cuidado quando aborda questões tão sensíveis como são estas das Religiões.
A Bíblia não é um documento qualquer...as Religiões têm fundamentos racionais? Se pensássemos só no que aos nossos sentidos é dado analisar, não havia religião que resistisse!

Marketing? Seria necessário? É que hoje começou a circular no mercado mais um livro do Saramago:
CAIM

Dá-se o caso que eu, até nem estava particularmente interessado em comprar este livro. Mas já o comprei...

Tantos livros de Saramago. Parece estar a transformar-se numa Empresa Produtora de Livros SA!

Bom, toma lá um abraço grande, Pedro. O Homem é mesmo assim, anda sempre aos empurrões, às coisas, às ideias, à vida!...

António

Anônimo disse...

É isso mesmo. Brasileiro dixit. Sou português e não tenho gostado dos comentários mais agresivos menos polidos por parte dos portugueses. Pauto-me por uma análise mais profunda (e portanto até mais "radical"), mais conforme com a sua, que agora li. Ou seja: a cultura da falta de auto-estima dos brasileiros pela (nossa e vossa própria cultura e história)e a tentativa "fácil" de fazer piada à volta disso. Mas"mudam-se os tempos , mudam-se as vontades" e agora essas "piadas" não são tão bem vistas como outrora - até pelos próprios brasileiros - ainda bém!
Em 2ª lugar, de facto (de fato), a ultra-mitificação da cultura anglo-saxónica e a ignorância de que os EUA sempre sufocaram os ímpetos de potência global a que o Brasil - que endeusa os EUA - sempre aspirou. Estes ímpetos foram sufocados por interposta pessoa das ditaduras militares do Brasil e silenciadas as vontades de dominar, em bolsa de valores, os preços do café, cacau açúcar produzidos pelo Brasil. Tal autonomia não convinha aos EUA, como não conveio as de Cuba (antiga "colónia" de férias deste país).
Finalmente: sim, isto tudo foi uma pequena faísca numa relação prestes a explodir e o pretexto foi a Maitê (que não teve sucesso com a tarefa, aparentemente garantida, de fazer humor tudo aquilo). Porque: Portugal e Brasil estão a mudar - e ainda bem que assim é! Abraços deste lado do Atlântico. jmma - portugal

Lafayette disse...

Égua, tô ficando novo!

Dom Pedrito, na real... discordo de tudo isso!

Já até publiquei no meu blog, sobre:

http://xipaia.wordpress.com/2009/10/14/maite-proenca-e-os-portugueses-de-portugal/

E como sei que o amigo é um cara democrático, falarei.

Pô, fazer análise de Pirataria com pensamento geo-político-social-e-o-escambaul dos tempos atuais, e ainda mais, com pesquisa googliana, É FUEEEEDDAAAAAA!!!

Ou cara não entende de pirataria daquela época (putz, acabei de pensar: será que ele entende de pirata analisando o Jack Sparrow????? puta-lá-misera!) ou ele não entende de google!!!! Ou os dois!!! O que é mais provável!!!!

Cara, de onde ele tirou: "Vamos à outra grande mentira: a Inglaterra era a salvadora dos negros escravos, que os odiosos portugueses comercializavam."

Amigo, EU NUNCA aprendi isto no colégio!!! NUNCA!!! Ou o Marista de Belém, dos anos 70 e 80 era ave rara, ou os meus professores de História eram professores, ou o este Rogério Mattos Costa, coitado, estudou no que há de pior na sua cidade natal!!!

Outra.

"Um processo que nos leva a odiar ter nomes como Ferreira, Lobo, Oliveira e não Smith, Lee ou Carter."

Prezado, NUNCA ouvi falar disso. Que nós, brasileiros, odiamos não sermos uns "Paul", ou "Donald", ou um "George Mcfly"!!!!

Se ele souber que meu Lafayette é de Óbidos, do meu vôzinho... será que tô safo, ou minha mãe é que é uma porca capitalista européia, afrancesada metida a besta????

O articulista ainda não entendeu o problema não foi o português, mas a Corte Portuguesa e o que ela entendia o que era e pra que servia esta terra de além-mar.

Mas, não é disto que estou falando.

Falo do próprio vídeo e do que a Maitê falou, das tais "ofensas", das tais "grosserias e baixarias que cometeu".

O mundo tá ficando INSUPORTÁVEL com este papo de "politicamente correto"!!!

Lembra daquele aluno que tava comendo uma professora nos EUA? Que todo mundo caiu de pau (na verdade, o único a fazê-lo, realmente, foi o aluno rsrsrsrsrs) na professora.

As manchetes que correram o mundo eram: A PROFESSORA ALICIOU....; ou, A PROFESSORA FEZ SEXO COM...

Meu amigo, FOI O ALUNO, O GAROTO DE 14 ANOS, QUEM COMEU, OU MELHOR, CONSEGUIU REALIZAR O SONHO DE TODOS NÓS, MEU E DE TODOS OS MEUS AMIGOS DAQUELA ÉPOCA.... "COMER A PROFESSORA DE INGLÊS!!!!".

Ninguém nem chegou perto, porra!!!! Mas, como a gente se "acabava que nem colher na mão de pedreiro" por aquela professorinha!!!

Também bloguei e repito o post toda vez que acontece um caso deste e a mídia cai no lombo:

http://xipaia.wordpress.com/2007/12/05/a-professorinha/

Pô, mano, com uma professora destas (veja lá a foto), era pra terem feito uma estátua pro moleque!!!

Fico por aqui...

...ah, sabe aquela última do português? ;-)

Lafayette disse...

Ah, e veja isso, e por favor, ria!

http://charges.uol.com.br/2007/12/07/debra-lafavre-put-the-blame-on-me/

Renatinha! disse...

Oi Pedro querido!
Td bem?
Qto tempo né?
Saudade de vc...
Bjo

citadinokane disse...

António,
É verdade! É esa mistura que o mundo vem buscar...

citadinokane disse...

Jmma,
Companheiro, somos um só povo!
Um só, sentimento!

citadinokane disse...

Lafa,
Uma só coisa que não concordo.
Tirar sarro com os hermanos portugueses, ok?!
Tenho dito!

citadinokane disse...

Lafa,
Vi o vídeo e a esposa não gostou, hein!!!

citadinokane disse...

Renatinha,
Sodade, sodade, sodade...

Lafayette disse...

Ôpa, se a patroa não gostou do vídeo, eu também já não gosto mais! ;)

Como também contínuo não gostando de patrulhamento, principalmente o ideológico que o artigo deste articulista está eivado.

E também a história está minada de exemplos do efeito nefasto, e falso, que o determinismo genético provoca na sociedade, que é o caso quando se fala dos portugueses...

...sem jamais perder a ternura, é claro!

Tozé Franco disse...

Ora viva.
Parece-me exagerada a polémica.
Quanto ao passado colonial achjo que nenhum país europeu se pode orgulhar do que fez.
Só uma curiosidade:
os portugueses e os espanhóis é que eram os maus (Os católicos) mas o que é um facto é que é na América Central e do Sul que existe maior número de indígenas e não na América do Norte, colonizada pelos tolerantes ingleses (religiosos).
De qualquer maneira ir a Sintra e só ver um número ao contrário é de quem não sabe nada do mundo nem provou um travesseiro.
Um abraço.

citadinokane disse...

Lafa,
Ahahaha... Vi a charge, rsrsrs...
Mesmo vendo a charge, não perdi a ternura, continuo achando aquela professora uma gata, au au au...
Aquele programa é cheio de besteira, foi mais para encher linguiça, mas deixa pra lá!
Tô com uma cuíra para varar no Terra-do-Meio, inclusive o Elias Pinto me ligou perguntando quando a gente ia lá, fiquei de retornar pra ele.
abraços muchacho rebelde,
Pedro

citadinokane disse...

Tozé,
Essa mulher não provou um travesseiro e nem um Periquita, né?! Não sabe de nada, ahahaha...
Vamos dar um basta na polêmica, ela até pediu desculpas, huuummm... Tá bom! Vamos falar da vida que transborda a nossa frente.
abraços

Cássio disse...

Também acho uma sacanagem fazer piada com portugueses. Por falar em piada com outros povos, Lafayette, lembra daquela velha que durante uma ditadura em Port..., ops, Port of Prince, a Polícia Secreta usava o emblema "Serviço Secreto" no uniforme?

citadinokane disse...

Cássio,
Uma tirada stalinista, heim!