quarta-feira, novembro 04, 2009

Modernidade tardia...

É importante analisarmos questões prosaicas, do nosso dia-a-dia, para muitos a gentalha às vezes fica muito inxerida, ahahaha... O brasileiro de baixa renda (povão) é assim... muito dado, gosta de encurtar as distâncias sociais ditadas pelos fatores econômicos e culturais, puxa conversa, fala de futebol, samba, de mulher gostosa... muito engraçado! Gosta de chamar as pessoas com quem não tem intimidade pelo nome no diminutivo, é Pedrinho pra cá, Carlinha pra lá, se der espaço o brasileiro se enturma rapidamente e já começa a utilizar apelidos, Sérgio Buarque em "Raízes do Brasil" vai deixando algumas pistas para entendermos o povo brasileiro, temos aí o homem cordial.
Lenio Streck no excerto abaixo analisa um pouco do que anda nas cabeças de uma parte dos "escolhidos".



A modernidade tardia no Brasil (Lenio Streck)

As promessas da modernidade só são aproveitadas por um certo tipo de brasileiros. Para os demais, o atraso! O apartheid social! Pesquisa recente mostra que os excluídos são 59% da população do país. Nessa categoria “excluídos” estão as pessoas que estão à margem de qualquer meio de ascensão social. Na escola, a esmagadora maioria dessas pessoas (86%) não foi além da 8ª série do 1º grau. De todos os segmentos sociais, são os que mais sofrem com o desemprego e a precarização do trabalho: 19% vivem de “bico” e 10% são assalariados sem registro algum. Como contraponto, o levantamento mostra que a elite se resume 8% dos brasileiros. Essa elite concentra mais brancos (85%) do que qualquer outro segmento da sociedade. É, em conseqüência, o segmento onde há menos negros e pardos(pesquisa Datafolha publicada na Folha de São Paulo de 12 de abril de 1997, 1-12 Brasil).
Não há, pois, como não dar razão a Leonardo Boff, quando afirma que (essas) nossas elites construíram um tipo de sociedade “organizada na espoliação violenta da plusvalia do trabalho e na exclusão de grande parte da população”. Daí a existência no Brasil de duas espécies de pessoas: o sobreintegrado ou sobrecidadão, que dispõe do sistema, mas a ele não se subordina, e o subintegrado ou subcidadão, que depende do sistema, mas a ele não tem acesso.
Não causa espécie, assim, em nossa “pós-modernidade” midiática, que, a exemplo de tantas pessoas, a dublê de atriz e modelo Carolina Ferraz justifique o apartheid nos elevadores de forma bastante solene: “As coisas estão tão misturadas, confusas, na sociedade moderna. Algumas coisas, da tradição, devem ser preservadas. É importante haver hierarquia”. Já a promoter paulista Daniela Diniz, assídua freqüentadora das colunas sociais, “não nos deixa esquecer” que “...cada um deve ter o seu espaço. Não é uma questão de discriminação, mas de respeito”. Ou seja, para elas – e para quantos mais (!?) – a patuléia deve (continuar a) “saber-o-seu-lugar”...

(texto extraído do Livro “Hermenêutica Jurídica e(m) Crise: uma exploração hermenêutica da construção do Direito. Editora: Livraria Do Advogado, PP.29 e 30)

2 comentários:

Anônimo disse...

fala aí mermão , voltei do outro lado do mundo onde não conseguí abrir blogs , os homens lá controlam tudo menos as massagistas, então fica tudo certo.
Gostei do post , só achei sacanagem tua por minha foto.
Abração
Tadeu rides again

citadinokane disse...

Mano Tadeu,
Não fale uma coisa dessas, és um cara especial pela singela forma de envolver-nos com a tua atenção e fraternidade dos justos.
Cavalo são os outros, ahahaha...
Quero depois saber mais sobre as massagens regeneradoras.
abraços e faça o favor de ser feliz!