domingo, novembro 29, 2009

Salva vidas: poesia.

A poesia salva a vida.
Estava assistindo um programa na GloboNews, o entrevistado não lembro o nome, professor emérito de literatura na UNB, um grande intelectual...
Relatou durante a entrevista que um senhor chegou com ele e disse que pretendia se matar, mas, depois de escutar a poesia de Drummond não cometeu o suicídio. Explicou que tinha uma vida cheia de transtornos e que enfrentava dificuldades com o filho viciado em drogas, só passava na cabeça desse senhor cometer o suicídio, depois que escutou alguém declamar a poesia de Drummond, ele caiu em choro compulsivo e nunca mais pensou em se matar.
Qual a poesia?
Leia abaixo.

CONSOLO NA PRAIA (Carlos Drummond de Andrade)

Vamos, não chores...
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.
O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.
Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis casa, navio, terra.
Mas tens um cão.
Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o humour?
A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.
Tudo somado, devias
precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento...
Dorme, meu filho.

2 comentários:

Luciana Klopper disse...

Eu li isso, e me emocionei muito, me senti muito comovida

citadinokane disse...

Lu,
Drummond capta os mais belos sentimentos... O cotidiano esparramado com delicadeza pelo poeta maior.
beijos