quinta-feira, dezembro 10, 2009

Memória da terra: João Batista vive!!!

"E me faço boca
de todas as bocas
assassinadas,
canto de todos os cantos
aprisionados,
sonho de todos os sonhos
submergidos
pela mão armada
dos carrascos do meu povo."
(Pedro Tierra)

Aquele dia 6 de dezembro de 1988 foi trágico para mim, estava dentro do ônibus quando uma pessoa que estava com um radinho de pilha, colado no ouvido, dentro do busão falou em voz alta: - Mataram o deputado João Batista!
Exclamei revoltado: - Garaio! Não pode ser.
Naquele contexto, posso confessar que torcia para morrer os políticos da direita, mas eles eram “duros na queda”, parecia que eles tinham pacto com o diabo.
Na universidade comecei a militar na esquerda, e tinha um colega em Sociologia que era assessor do João Batista – o Oséas (por onde tu andas mermão?!), sendo assessor se revelava um fã do deputado e sempre conversávamos sobre a atuação do João Batista, destemido, valente frente os “senhores da guerra”, João Batista em alguns momentos para mim era um temerário... Talvez, quem sabe, acreditando em Vandré quando dizia:

“Os amores na mente
As flores no chão
A certeza na frente
A história na mão
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Aprendendo e ensinando
Uma nova lição...”


João Batista, assumia o risco, havia denunciado na Assembléia Legislativa as ameaças de morte que recebia de fazendeiros e grileiros, mas desdenhavam dele, faziam gracejos, os deputados de direita riam fazendo chacotas das denúncias.
João tombou... Sangue inocente foi derramado.
João foi assassinado numa rua movimentada, diante de seus filhos e esposa.
Morreu por denunciar a violência contra os trabalhadores na cidade e no campo, morreu por defender a reforma agrária e o socialismo.
João foi assassinado na frente de muita gente, e não esqueçam... João tombou diante de seus filhos e esposa...
Quem era João Batista?
João Batista era um filho do povo brasileiro, nasceu no interior de São Paulo e adolescente veio com a família para o interior do Pará, família de camponeses em busca de uma vida melhor no norte.
João estudou e se formou em Direito pela Universidade Federal do Pará, depois de 1980 passou a dedicar a sua militância na advocacia em favor das causas dos trabalhadores urbanos e rurais.
Depois que João Batista morreu, o Oséas confidenciou-me que ao entrar no elevador do prédio da Assembléia Legislativa do Pará, o dirigente máximo da UDR que estava saindo do elevador, ao encontrá-lo esboçou um sorriso e falou baixinho em forma de deboche: - Acabou pra vocês!
Vinte anos se passaram e não acabou pra gente, não acabou!
Continuamos acreditando que é possível viver com dignidade.
Sandra Batista assumiu o bastão passado por João seu esposo, exerceu por várias vezes o cargo de Deputada Estadual e hoje é vice-prefeita de Ananindeua, eu acredito nela!
Sandra me fala que a luta de João continua, que podemos construir uma sociedade justa, com oportunidades para todos, para todos!
Acredito no João, acredito na Sandra...

2 comentários:

André Costa Nunes disse...

Poesia com poesia se paga

...Silêncio, musa,
Chora e chora tanto,
Que o pavilhão se lave no teu pranto/

Auriverde pendão da minha Terra,
Que a brisa do Brsil beija e balança,
Estandarte que a luz do céu encerra,
Nas divinas promessas da esperança,

Tu, que da liberdade após a guerra, foste asteada dos heróis na lança,
Antes te hovessem roto na batalha, que servires a um povo de moratalha.

Castro Alves

citadinokane disse...

André,
Acredito na poesia como antimatéria da mediocridade...