domingo, janeiro 24, 2010

Ismael não se cala.

O nosso irmãozinho Ismael Moraes, advogado, Conselheiro estadual da OAB-PA e membro da Comissão de Defesa das Prerrogativas Profissionais do Advogado, respondeu ao post de um blogueiro, que insistia em pautar os advogados, como se os mesmos lutassem por privilégios indevidos relacionados ao sistema de segurança do Fórum de Belém.
Antes de passarmos para o texto do Ismael, cabe um comentário, quem já precisou lutar por seus direitos, sabe o quanto é difícil lidar com as pessoas que trabalham no Judiciário, é claro que existem serventuários e juízes conscientes do papel que desempenham para a consolidação da cidadania... É minoria.
Ninguém vai calar o Ismael! Ele é um cara correto...
Advogado sem coragem para enfrentar esses obstáculos, para o cliente é roça!
Mas, prestem atenção no que escreve o nosso intimorato Ismael, cabôclo bom de demandas, não aceita o cala-te boca, leiam:

Caro Bemerguy,
Julgo estar havendo um certo equívoco na colocação da questão. Não se trata de abolir os sistemas de segurança, a cada dia mais necessários. O que causa protestos de advogados é a forma discriminatória como isso está ocrrendo, pois, entre os elementos da administração da Justiça, apenas os advogados são submetidos a revistas, algumas vezes vexatórias, posto que a direção do foro delegou a um servidor o poder de julgar quem deva ser revistado. Os juizes e membros do Ministério Público não são submetidos às "fiscalizações". Creio que a questão é que o tratamento dispensado a um deve ser também a qualquer outro cidadão, independentemente do cargo que ocupe. Todos sabem de vários casos de atos de violência praticados não apenas por advogados - como o do desequilibrado que matou covardemente um jovem promotor -, mas também há o caso daquele oficial de justiça que atirou na tia juíza, ou de um magistrado que, recentemente, se suicidou. Ora, qualquer pessoa pode praticar um ato de violência e, estando armada, vítimas inocentes serão produzidas. A investidura em cargo de promotor ou juiz não imuniza ninguém de psicopatia.
A questãoe é que o foro é a casa de trabalho não apenas das pessoas do parquet ou da magistratura; também o é daquelas da advocacia. A Justiça deve tratar igualmente os seus.
Minha opinião é que todos devem ser revistados, ou ninguém.
Os advogados também possuem prerrogativas profissionais que não são privilégios, são instrumentos para a boa execução dos seus deveres; são atribuições que as leis nos conferem para podermos tutelar os direitos e interesses dos cidadãos que defendemos em igualdade de condições com os membros do parquet e da magistratura. A manutenção da dignidade é essencial para o exercício de uma advocacia retilínea, com aquela verticalidade que a caracteriza, sintetizada nas palavras do prócer Egidio Sales: "A advocacia não é profissão para covardes".
Se os advogados podem ser discriminados a entrar na casa da Justiça, os juízes também poderiam sê-lo na advocacia, denegando a OAB inscrição a quem bem entendesse. Pode parecer exagero, mas são justamente as pequenas sementes do maltrato que dão origem, quando acostumadas, aos aleijões morais que ignobilizam a profissão.


Ismael Antonio de Moraes - Conselheiro Estadual da OAB, Membro da Comissão de Defesa das Prerrogativas Profissional OAB-PA nº 6942.

4 comentários:

Frederico Guerreiro disse...

Também sofro com isso. Mas, pelo que me conheces, Nelito, não me costuram a boca. Prefiro morrer de pé a viver de joelhos.
Abraço

Nilton disse...

Como diria o Chico Buarque, o Ismael está prenhe de razão.
O Ismael nós conhecemos, é "cabôco" de fibra.
Palmas ao Ismael!

citadinokane disse...

Fred,
És um intimorato de carteirinha. Ainda bem que existem advogados como o Ismael e Fred Guerreiro, ainda bem...

citadinokane disse...

Nilton,
O Ismael é um cara generoso... Brigão! Como os bons humanistas.
abraços