domingo, janeiro 10, 2010

Leviatã e o poeta santareno Paulo Paixão.

Meu amigo poeta do Tapajós, quando fica inebriado dos ares de Alter-do-chão entra em transe...
Paulinho Paixão é um cara de raiz, como não?!
É letrista, músico e poeta.
Do que ele fala?
Ele fala e escreve sobre a vida, o amor e de Santarém, sua querida terra natal... E porque não posso dizer minha terra?
Já escrevi alhures que o Pará é Santarém e Santarém é Pará!
O dia que Santarém se separar do Pará, pode arrancar o meu coração e enterrar na curva do Rio Tapajós, por favor!
Já disse e volto afirmar, gosto tanto de Santarém que não aceitarei a separação, no plebiscito que se aproxima fincarei firmemente minha caneta na opção: - SANTARÉM É PARAENSE!
Trabalhamos juntos eu e Paulinho, certo dia ele me confidenciou que estava esparramado na praia do Alter-do-chão encharcado de cerveja...
De repente, ele viu levantar-se do lago verde um monstro que parecia um princípe gigante com uma espada na mão...
Ele não acreditou no que via, esfregou os olhos e por milagre a figura sumiu.
Assustado ele pediu mais uma cerveja para espantar a visagem.
Um, dois, três goles e o bicho se alevantou de novo...
Aí o poeta pediu que um amigo enchesse o copo dele com Rum Montila, ahahaha...
Pediu coca-cola, gelo e limão, pronto.
Estabeleceu um monólogo com o bicho-ruim, leiam abaixo:


Morte a Leviatã!

Areia, água, vento, uma dose de rum
Com gelo, coca, uma rodela de limão
E o pensamento ativado, vencendo espaços,
O tempo, permitindo a evasão das dores,
Dos amores que se foram, as recordações!

Quero gritar mais alto que o estampido
Do mais horrendo trovão para que os
Anjos de Deus me ouçam, saiam do marasmo:
- Que façam guerra de morte aos anseios de Leviatã,
Príncipe dos predadores do planeta Terra!

Dói em nós, humanos do bem, a agonia
Das reses nos holocaustos dos matadouros;
A apreensão e prisão de animais, que outrora,
Livres corriam e pulavam ou nadavam
Nos campos, nas árvores e nos igarapés...

Matas, serras, relvas, vales e planícies...

Só os vejo originais nas telas de Michaud,
O que d’antes fora a Mata Atlântica!
E nas telas de Lili, João Fona ou
Laurimar Leal , a Coroa de Areia...

Como dizia o velho poeta:
- É o império do mal na Terra!
Na mente ainda ressoa o canto monótono
Da juruti, do paraíso que nossos avós,
Com carinho, chamavam, Mapiri!

E assim o homem dá cabo das levezas
Que dão graça ao mundo.

Só me contento ao dizer maravilhado,
Bem do fundo da alma:
- Ainda temos Alter-do-Chão!

Alter-do-Chão, o chão que beijou os pés de Deus.
O jardim do Éden onde tudo aconteceu.
Hoje, muito tempo depois, malgrado a algidez
Dos corações, a poesia ressurge nas maresias
Do rio azul e dos verdes lagos.
Caminha de mãos-dadas com os romeiros
Das procissões do Sairé.

Poesia que o poeta cria ao mergulhar
No imaginário dos ribeirinhos-boraris;
Ao ver um panorama encantado,
Belo como uma fábula de La Fontaine
Ou um romance de Shakespeare...

Sentado sobre a úmida areia e os
Olhos perdidos nos azuis do horizonte,
Onde o Tapajós se une ao céu
Fonte inconteste das minhas inspirações,
Reflito a vida e concordo em achar
Que deve ser vivida até o seu extremo.
No justo limite onde se inicia
O Mistério de Deus!

Que por ser homem do bem
E valorizar o dom da vida,
Valeu a pena, sim!

Toda a vida vivida.

Nenhum comentário: