sábado, abril 17, 2010

Adultério: chifres, cornos e contidos.

Certa vez, um amigo me perguntou sobre o que eu achava do adultério, respondi pra ele dizendo que eu não depositava muita importância nessa questão. Penso que devemos refletir mais um pouco sobre esse tema polêmico.
A palavra adultério vem de uma frase em latim: ad alterum torum. Qual o significado? Não poderia ser outro mais libidinoso: "Na cama de outro".
Como diria o Tico Futrika: - É só libido, mano!
Para o bom entendedor é isso mesmo, a frase se refere à prática da infidelidade conjugal, quedeusnosproteja!
Na Idade Média o negócio pegava...
Sem sombra de dúvida, o caldo cultural machista sempre acentuou a gravidade da infidelidade conjugal quando praticada pela mulher casada.
No medievo quando ocorria o nudus cum nuda im oedem lectum, era considerado muito grave, traduzindo para o bloguês a frase em latim: "Nu com nua na cama".
E aí?
Prepara a mala, a sacolinha e fui... A vida corria risco, provavelmente a mulher casada já era!
Agora, quando se tratava do solus cum sola im solitudine. A gravidade menor da situação possibilitava um suspiro de vida, o significado da frase: "Ele só com ela". Colocava a dúvida, nunca a certeza. Vida salva? Talvez...
O primeiro Código Penal Republicano (1890) buscando garantir o pátrio poder, a propriedade privada, evitando a existência de herdeiros (filhos) bastardos, considerou o adultério um crime (art. 279).
O adultério continuou criminalizado no Código Penal de 1940 (art. 240), o ranço da sociedade patriarcal ainda se fazia sentir... O homem era a cabeça da família. Entendeu?
Como crime o adultério tinha que ser coibido pelo Estado. Quando o Pater Famílias era traído pela “rainha do lar”, se dizia zombeteiramente que ele havia levado “cornos”, isto é, “chifres”... Quando la mierda estava feita, os samangos chegavam com o chefe de polícia e diziam: - Chefe tem um senhor aí exaltado, parece que é caso de “cornos”.
O chefe respondia: - Manda esse “corno” entrar.
O símbolo da discórdia no lar se substantivou na figura impoluta do pai da família, doravante, todo marido traído por seu cônjuge passou a ser alcunhado na linguagem coloquial de CORNO.
O Estado tinha que mobilizar recursos para conter a fúria dos atraiçoados que buscavam a vindita, investigação para prender o “Ricardão”... A vida era mais simples, menos complexa, daí as pessoas se preocuparem com os “chifres” alheios...
Com o passar do tempo, veio o desenvolvimento industrial, a modernização da sociedade brasileira, liberalização dos comportamentos, o “chifre” passou a fazer parte do anedotário nacional, e o Estado deixou de correr atrás do “Ricardão”.
A sociedade atual passou a considerar o adultério um problema não mais de esfera pública, mas, da esfera privada.
Os sociólogos sustentam que neste caso ocorre uma ineficácia social da legislação, isto é, existe a previsão legal do ilícito, mas a sociedade não considera como crime a conduta...
“Chifre” é esfera privada, o relacionamento não deu certo, fazer o quê?
Primeira opção a boa conversa, franca e honesta. Não deu certo? Procure um bom psicanalista e faça uma terapia de casal. Não deu certo? Pega o telefone e liga para o programa da Tv Record “Fala que eu te escuto” e com certeza o pastor de plantão tem a solução mágica para o relacionamento conjugal.
Depois de tudo isso, se o “chifre” continuar?
Pô! Separa.
Para encerrar, o adultério como crime foi revogado pela Lei 11.106 de 2005.
O engraçado de toda a história do adultério é que continuamos empapuçados de machismo, em tempos de blogosfera, ainda se considera que a mulher quando trai é a pior das pessoas...
Amigo nosso blogueiro [não revelarei o nome mesmo sob ameaça de faca amolada], casado na época, metido a D. Juan flertava com um mundo de mulheres, sempre sorridente, sedutor e etc., sempre me preocupo com os galanteadores ousados e casados... Quando vem a separação, perdem muito, às vezes até o respeito dos filhos, além é claro da pensão, empobrecem um pouco.
Mas, voltemos ao amigo Dom Juan, sedutor, sorridente... A mulher dele sacando as estripulias do sedutor, se vingou enroscando um par de “chifres” no galã.
Qual foi a reação do bonitão quando descobriu a traição?
Enlouqueceu, foi bater na casa do “Ricardão” e chorando contou a história dele para a esposa do Ricardo... E quando encontrou o “pé-de-pano” na rua, virou a barbárie, se enrolou no chão com o “sombra” e o pior de tudo, o Ricardão entupiu ele de “porrada”. Com vergonha da palhaçada que fizera, se fechou no quarto por um mês, a barba cresceu, começou a fumar e sumiu por um ano...
Depois retornou ao convívio dos amigos, mais maduro, um pouco mais contido.

Para a reflexão de todos.
Ao se deparar com alguns fariseus e escribas repletos de ódio que acusavam uma mulher de ser adúltera e exigiam que ela fosse apedrejada, conforme a lei de Moisés, Jesus toma uma pedra do chão e a levanta para a multidão furiosa, dizendo: “O que está puro entre vós atire a primeira pedra” (João 8:7).

14 comentários:

Lígia Saavedra disse...

É amigo, "pimenta nos olhos dos outros..."
O tempo é remédio para o traído e para o traidor.
Também sei de casos análogos a esse que vc citou e são assim mesmo os seus desfechos, a pura verdade.

Um abraço

serpai disse...

Siempre me es gratificante recorrer el mundo de los blogs… y encontrar algunos como el tuyo. También tengo la esperanza que alguna vez pueda verte por el mío, que también se escribe en portugués, sería como compartir esta pasión por escribir que une a tantas personas y en tantos lugares...

Sergio

Guará Matos disse...

É assim mesmo!
O negócio é encarar na boa, rsrsrsrs!
Relaxa e gozar.....

citadinokane disse...

Ligia,
Com o tempo, traído e traidor até ficam de bem e assim deve ser... nada de rancores, né?!
Tô em dívida eterna contigo, tenho que buscar o meu CD.
beijos

citadinokane disse...

Sérgio,
Realmente é fascinante a blogosfera, aproxima vidas distantes.
Já visitei o teu espaço e voltarei com tempo para escrever-te.
Um forte abraço e volte sempre.

citadinokane disse...

Guará,
Era pra ser assim como escreveste, mas o desdobramento é passional... E aí a gente sabe como começa. Os desdobramento, às vezes, são dramáticos.
O caldo cultural machista incita o lavar com sangue um não-sei-o-quê...

Anônimo disse...

Todo homem foi , é ou será.
está escrito há 10 mil anos.
Não vais falar nada do meu Fogão???
Abraços saudosos
Tadeu - o que já foi rsrsrsrsrsrs

Wellyn Nascimento disse...

Quem proucura acha,né?
hahahha
Beijos Pedro!
Saudades

Marise Morbach disse...

Pedro, passo aqui e encontro esse teu texto engraçadíssimo(é sério!). Ainda bem que não nascemos no medievo pois lá parece que o choro não adiantava,rsrsrs. Um abração.

citadinokane disse...

Tadeu,
O Fogão tirou o dedo, né?
Não brinca com essas coisas que Deus castiga, hein!

citadinokane disse...

Wellyn,
Quem procura... huumm... Encontra o quê? Ahahaha...
Beijos

citadinokane disse...

Oi Marise!
Graças ao bomdeus que o medievo não é aqui... ahahaha...
Tudo é verdade!
Bater em Ricardão, às vezes não é a melhor opção.
abraços

Nilton disse...

Mermão, entrega logo essa parada!!Ajoelhou tem de rezar. O pessoal já deve ter tirado as suas conclusões. Deixa prá lá, depois tudo se ajeita, se arruma,as vezes tem até reconciliação.
Abraço.
Nilton Atayde.

citadinokane disse...

Nilton,
Mataste a parada.
O cara que pegou "porrada" do Ricardão, ronda como um espectro os nossos passos...
Como fiz um juramento de nunca citar o nome dele, manterei firme essa jura.
O pior de tudo, o cara ainda foi entregar o Ricardão para a esposa do cara... O que tu achas? Será que ele foi ético?
Deixa pra lá! Esse negócio de chifre, não é bom a gente filosofar sobre esses infortúnios humanos...
abraços,
Pedro