sábado, julho 24, 2010

Bruno, Eliza & Macarrão.

Uma breve reflexão sobre o sumiço de Eliza Samudio.
Já recebi e-mail com fotos da moça que se envolveu com o goleiro Bruno do Flamengo, as informações repassadas era que se tratava de uma jovem bonita que escolheu o caminho da prostituição (garota-de-programa) para sobreviver.
Bruno era o cara pobre que através do futebol fica rico, realizou o sonho de 10 entre 10 garotos pobres da periferia do Brasil, jogar bola e ganhar muita grana, sem precisar estudar.
Não esqueço do Telê Santana, técnico do São Paulo, ao ver o jovem atacante, que ele havia promovido ao time titular do São Paulo, chegar ao Morumbi com um carrão...
Telê chamou o jogador de lado para uma conversa e disse: - Meu filho venha cá!
E o jogador com um sorrisão, respondeu: - Pois não "professor"...
O Telê foi direto ao assunto: - Denilson é o seguinte, eu sei que os teus pais moram na periferia muito pobre da cidade, devolva esse carro e compre primeiro uma casa para teus pais.
Fica a lição do sábio Telê Santana.
Meninos pobres conseguem sucesso no futebol, mas não estão preparados psicologicamente para lidar com a transformação que ocorrerá em suas vidas, exposição na mídia, o reconhecimento social... é muito!
Geralmente a estrutura familiar não é suficiente para evitar mais adiante a débâcle financeira, é muito comum no Brasil encontrarmos jogadores de futebol famosos numa situação de pobreza.
De outro lado existem jovens que acreditam que é possível ganhar muito dinheiro fácil com o sexo.
Não faço coro com aqueles que acham que a prostituição é uma profissão que deveria ser legalizada, respeito a opinião dos defensores dessa posição, mas continuo acreditando que nenhuma mulher ou homem nasceu para se entregar à lascívia alheia por um punhado de moedas.
Não consigo aceitar que seja digno a mulher ser comparada a um pedaço de carne no açougue... Não aceito!
Os textos de Che Guevara sobre o machismo abrem algumas trilhas sobre o papel da mulher numa nova sociedade.
A Rede Globo certa vez tratou do tema "garota de programa" numa novela, mas o enfoque foi extremamente favorável, cheio de glamour...
Em torno dos jogadores uma penca de moças denominadas de "marias-chuteiras", lindas e "saradas".
Não sei se Eliza foi morta, se Bruno foi o mandante, se o filho de Eliza é dele...
Tenho quase certeza que um outro menino pobre será penalizado nessa história, ele nem nome próprio tem, dentro daquela perspectiva esmiuçada por Sérgio Buarque de Holanda - teoria do homem cordial, costumamos estreitar os laços afetivos pelo apelido.
Mas, retomando a certeza da punição de alguém, anotem quem será punido nessa história, é o menino pobre que se tornou capacho e serviçal de outro menino pobre que ficou rico. Qual o nome?
Não existe nome, apenas apelido: - MACARRÃO.

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