segunda-feira, novembro 29, 2010

"A Segunda Morte do Che" por Pedro Galvão.

O Rogério em agosto de 2008 havia me avisado que na Revista "Caros Amigos" daquele mês iria sair publicado a poesia do seu sogro Pedro Galvão.
Comprei a revista e resolvi guardar com muito zelo, só hoje a reencontrei, a homenagem de Pedro Galvão ao homem que virou uma legenda na luta contra todo tipo de opressão é emocionante.
O texto é longo, mas... Vale a leitura.
Pedro Galvão é renomado publicitário. No passado foi ligado ao movimento estudantil e foi preso pela ditadura. Sobreviveu e tocou a vida.
Abaixo a homenagem aos 40 anos da morte de Guevara.

A Segunda Morte do Che (Pedro Galvão)

Es un trámite morir.
Atribuído a Don Francisco
de Quevedo y Villegas

As rugas já não rasgam no seu rosto
as nervuras da morte. O nó da asma
já não mais o estrangula, nem desgosto,
nem diarréia, nem vômito ou fantasma
de dor, tortura e medo. O coração
jaz em paz
jaz em paz?
já se fez pó,
o cérebro está morto – o sonho, não –
nem cadáver mais resta, agora é só
ossos, mas ossos de um guerreiro, vivo
como jamás quisieran que estuviera.
Agora que está morto é mais esquivo,
além de toda bala e toda Higuera.
Resta o sonho a matar, resta esse mito,
um c, um h, um e, morto infinito.

“É preciso matar sua coragem
até que reste apenas covardia.
É preciso matar o herói-miragem
até que reste apenas vilania.
É preciso matar sua beleza
até que reste apenas sua feiúra.
E até que reste apenas sua frieza
é preciso matar sua ternura.
É preciso matar sua piedade,
é preciso matar-lhe o aroma e a flor,
até que reste apenas crueldade,
até que reste apenas seu fedor.
É preciso matar sua memória
até que reste apenas sua escória.”

“We must kill him. O, we gotta kill him
anywhere, elsewhere, everywhere.
Ô gunfighters do mundo, dai um fim
à tão sinistra luz, a luz esquerda
que assombra e, sem medo, engatilhai
Macintoshes, mirai, usai o Windows
– ó épicos satélites, rastreai
o olhar campeador (o mais ruim dos)
e os passos que não passam –, com o florete
da palavra mais livre e seus repiques
em googles e youtubes, na internet,
por CNNs e times e newsweeks,
deletai as três letras que empeçonham
os sonhos desses loucos que ainda sonham.”

“¿Qué sé yo de la muerte? No sé nada.
De la vida sabré tal vez un poco,
de hambre y hombres, de lucha apasionada.
De morir sí, lo sé, tránsito loco
entre dos tiros, dos tinieblas, dos
punzones en el pecho sin dolor,
o entre vida y no vida, no más, los
ojos como entornados y el rigor
final de los juicios que te alaban
o te destruyen. Y os diré: morir
es solo un trámite, todos se acaban
aunque paguen el precio de vivir
por la causa del Hombre o, así lo quieras,
del odio, sus pasiones, sus banderas.”

“Matai, matai o morto que não morre
e está no céu
– no inferno? –,
está emboscado
nas tocaias da morte e à vida acorre
dando sangue ao terror, torvo legado.
Agora que está morto é mais difícil
matá-lo. Ele se esconde em mil obscuros
altares ou covis e sub-reptício
coleia em vossa mente, ei-lo intramuros
em vossa má-consciência, na obsessão
de vencer o vencido vencedor,
na pedra de rancor do coração.
Mas primeiro limpai todo rancor
de vossa alma. E matai esse herói torto,
matai o que não morre, morte ao morto.”

Nas revistas, refém, o ressuscitam
para matá-lo enfim completamente.
Mas como se, nas fotos que nos fitam
com dureza ou ternura, o olhar não mente?
Nesta foto de Korda, o camarada:
olhar campeador, encara o tempo
e conduz sua bandeira estraçalhada
na luta mais feroz, sonho irredempto.
Matar como, esse olhar, se frente à morte,
se até na última foto do Che vivo,
não há ódio nem medo ao cão e à sorte,
mas só o olhar humano, compassivo
– frente à metralhadora e ao assassino –,
de quem sabe que a morte é seu destino?

Ei-lo vivo na morte, Cid ou Che,
conduzindo a bandeira, não na aurora
mas sozinho na noite, sem mercê:
um homem, sua coragem, tempo afora.
Nenhum deus há no céu a defendê-lo
na luta além da morte, só a memória
e o peito de homens justos, só o desvelo
de guardar a grandeza de sua história.
Chegai, chegai, reuni vossa brigada
e resgatai sua áspera ternura,
até que nasça outro hombre em nossa estrada,
otro hombre raro y rico de aventura.
Na luta contra o algoz, quem o socorre?
Salvai, salvai o morto que não morre.

Aniversário do Elias.

No sábado o nosso amigo Elias Pinto ficou mais velho, fez aniversário e comemoramos efusivamente...
Lá se vai meio século, e em trinta e poucos anos a labuta do Elias tem sido o jornalismo sério.
Hoje um dos mais lidos colunistas do "Diário do Pará".
O meu presente para o Elias o CD Les Cargos - Orquestra de Contrabaixo. Acho que ele não vai gostar, mas qual presente para o Elias? Livros? Nem pensar, a casa não tem mais lugar para guardar livros.
Brincadeiras de lado, o Elias vai vibrar quando escutar "Week-end à deauville", vale a pena escutá-la acompanhada de um cálice de Jamburana.
Parabéns Elias!

domingo, novembro 28, 2010

Soneto da criação com Jamburana.

Depois do aniversário do nosso querido amigo Marechal Ribeiro Pinto, vulgo Elias, eis que constato que todos sobrevivemos aos festejos regados pela desgraçada Jamburana.
Andrézão o xamã do uriboca, recomenda moderação... Afinal de contas, a Jamburana foi por durante séculos, quiçá, milênios do conhecimento apenas da tribo Xipaia do alto Xingú.
André confidenciou que até se arrependeu de ter produzido e dado ao homem branco provar do licor dos Xipaias.
No Terra-do-meio a jamburana tem esgotado com muita rapidez.
Essa Jamburana é uma "caixa de pandora", quando a gente bebe esse licor, os lábios e a mente ardem e começamos a falar línguas de fogo. Quando cessa o efeito fica só a esperança de ter mais um pouco de jamburana na garrafa, só a esperança...
Vai o poetinha aí com jamburana?!

Soneto de criação (Vinicius de Moraes)

Deus te fez numa fôrma pequenina
De uma argila bem doce e bem morena
Deu-te uns olhos minúsculos de china
Que parecem ter sempre um olhar de pena.

Banhou-te o corpo numa fonte fina
Entre os rubores de uma aurora amena
E por criar-te assim, leve e pequena
Soprou-te uma alma cálida e divina.

Tão formosa te fez, tão soberana
Que dar-te aos anjos por irmã queria
Mas ao plasmar-te a carne predileta

Deus, comovido, te criara humana
E para tua justa moradia
Atirou-te nos braços do poeta.

Rio de Janeiro, 28.03.1938
in Poesia completa e prosa: "Poesias coligidas"

sábado, novembro 27, 2010

Senador da República do Peixe-Frito: Jota Pinto.

Direto do Bira's Bar a República do Peixe-Frito.
O nosso Senador vitalício Jota Pinto, cartunista juramentado.
O peixe abaixo foi direto para a frigideira da simpática e delicada garçonete Naná.

sexta-feira, novembro 26, 2010

O Bigode do Meu Tio no Blogspot.Com

A amizade está nos píncaros!
Aqui no blog é assim, amigo de fé e faca amolada pede e a gente publica.
O outrora lascivo Leal Dias, hoje totalmente regenerado...
Deixemos o passado sepultado, silencie para sempre a impudicícia, luxúria e lubricidade. Ahahaha... (tomara que as moçoilas não leiam esse post).
Eis o novo homem que o socialismo tanto propalou, intelectual cioso com os compromissos assumidos com a sociedade, a cidadania agradece. Estou falando do Professor de direito urbanístico Maurício Leal Dias, intelectual de boa cepa.
Pô! O Maurício deve está fulo-da-vida comigo... Vamos ao pedido do amigo Leal Dias, ele pede que o CitadinoKane divulgue o blog de uns amigos que mandam bem no blog "O Bigode do Meu Tio" .
É isso aí, vamos prestigiar os rapazes no Bigode.
Maurício vou ficar na espera do convite para degustar uma tijuca, ok?!

Cristóvam Araújo e seu "Diário de Bordo"

Meu caro Pedro Nelito:

Estou ajudando a divulgar o lançamento do livro "Diário de Bordo", do meu amigo Cristóvam Araújo. Se você puder inserir alguma coisa do material em anexo, fico-lhe muito grato.

Abs

José Carneiro



Autor de “Olho de Boto” - o poema que, musicado e gravado por Nilson Chaves, é sucesso do repertório musical paraense - Cristóvam Araújo está em Belém para lançar o seu livro de poesia “Diário de Bordo”, em edição da Paka Tatu.
Cristóvam Araújo, radicado no Rio de Janeiro, lançou o seu primeiro livro em Belém, no ano de 1980. Trinta anos depois, ao publicar o seu segundo trabalho, traz registradas na memória de sua vivência paraense as nuances poéticas de sua terra natal.
Nas palavras do autor, “Diário de Bordo” constitui uma seleção do que vivi e escrevi nesses 30 anos em que estou longe de Belém. É um registro das minhas impressões durante esse tempo – essa viagem – do ponto de vista poético”
Apesar de morar há trinta anos fora do Pará, Cristóvam Araújo manteve ligação constante, apaixonada e inalterada com sua terra natal, sua cultura, seus amigos e seus familiares. O novo livro reúne uma seleção de poemas recorrentes a sua história de vida, ligados a pessoas e símbolos de uma Belém que não sai da sua memória.
O lançamento do livro “Diário de Bordo” ocorrerá no dia 10 de dezembro, em meio a uma tarde/noite de autógrafos e de confraternização com seus amigos de tantas datas. O local será o espaço literário da Fox Vídeo, na rua dr. Moraes 584.

Cada cabritinha com o seu dono.

O Hélio Azevedo mandou um recado, disse nas entrelinhas "cada cabritinha com o seu dono", ahahaha... Pura sacanagem do Hélio, sempre brincalhão vai captando as imagens do cotidiano e tome trocadilho.
Ê mano! As mina vão ficar fulas-da-vida contigo, hein?!
Vamos para as imagens.
A 1ª imagem segundo o Hélio trata-se da Cabritinha do rico.
A 2ª imagem - a Cabritinha do pobre.
Eu quero uma cabritinha com tatuagem e jamburana.

Cinema e Direitos Humanos

5ª MOSTRA CINEMA E DIREITOS HUMANOS NO CINE LÍBERO LUXARDO
CINE LÍBERO LUXARDO - De 25 a 28/nov e 02 a 05/dez

PROGRAMAÇÃO

25/11 - QUINTA-FEIRA
19h – Sessão de Abertura
ABUTRES - Pablo Trapero (Argentina/ Chile/ França/ Coréia do Sul, 107 min, 2010, fic)
Classificação indicativa: 16 anos


26/11 – SEXTA-FEIRA
10h
A VERDADE SOTERRADA - Miguel Vassy (Uruguai/ Brasil, 56 min, 2009, doc)
ROSITA NÃO SE DESLOCA - Alessandro Acito, Leonardo Valderrama (Colômbia/ Itália, 52 min, 2009, doc)
Classificação indicativa: 12 anos
15h
KAMCHATKA - Marcelo Piñeyro (Argentina/ Espanha/ Itália, 103 min, 2002, fic)
Classificação indicativa: livre
17h
A BATALHA DO CHILE II – O GOLPE DE ESTADO - Patricio Guzmán (Chile/ Cuba/ Venezuela/ França, 90 min, 1975, doc)
Classificação indicativa: 12 anos
19h
VIDAS DESLOCADAS - João Marcelo Gomes (Brasil, 13 min, 2009, doc)
PERDÃO, MISTER FIEL - Jorge Oliveira (Brasil, 95 min, 2009, doc)
Classificação indicativa: 14 anos


27/11 – SÁBADO
10h – Audiodescrição
AVÓS - Michael Wahrmann (Brasil, 12 min, 2009, fic)
ALOHA - Paula Luana Maia, Nildo Ferreira (Brasil, 15 min, 2010, doc)
CARRETO - Marília Hughes, Claudio Marques (Brasil, 12 min, 2009, fic)
EU NÃO QUERO VOLTAR SOZINHO - Daniel Ribeiro (Brasil, 17 min, 2010, fic)
* Sessão com audiodescrição para público com deficiência visual.
Classificação indicativa: 12 anos
15h
HÉRCULES 56 - Silvio Da-Rin (Brasil, 94 min, 2006, doc)
Classificação indicativa: 12 anos
17h
DIAS DE GREVE – Adirley Queirós (Brasil, 24 min, 2009, doc)
PARAÍSO - Héctor Gálvez (Peru/ Alemanha/ Espanha, 91 min, 2009, fic)
Classificação indicativa: 12 anos
19h
CARNAVAL DOS DEUSES - Tata Amaral (Brasil, 9 min, 2010, fic)
MEU COMPANHEIRO - Juan Darío Almagro (Argentina, 25 min, 2010, doc)
LEITE E FERRO - Claudia Priscilla (Brasil, 72 min, 2010, doc)
Classificação indicativa: 16 anos


28/11 – DOMINGO
10h
ALOHA - Paula Luana Maia / Nildo Ferreira (Brasil, 15 min, 2010, doc)
AVÓS - Michael Wahrmann (Brasil, 12 min, 2009, fic)
CINEMA DE GUERRILHA - Evaldo Mocarzel (Brasil, 72 min, 2010, doc)
Classificação indicativa: 12 anos
12h
A CASA DOS MORTOS - Debora Diniz (Brasil, 24 min, 2009, doc)
CLAUDIA - Marcel Gonnet Wainmayer (Argentina, 76 min, 2010, doc)
Classificação indicativa: 14 anos
14h – Audiodescrição
PRA FRENTE BRASIL - Roberto Farias (Brasil, 105 min, 1982, fic)
* Sessão com audiodescrição para público com deficiência visual.
Classificação indicativa: 14 anos
19h
GROELÂNDIA - Rafael Figueiredo (Brasil, 17 min, 2009, fic)
MUNDO ALAS - León Gieco, Fernando Molnar, Sebastián Schindel (Argentina, 89 min, 2009, doc)
Classificação indicativa: 12 anos

--------------------------------------------------------------------------
Programação completa clica abaixo.
MOSTRA CINEMA E DIREITOS HUMANOS

Rio e a fuga da bandidagem

As cenas ao vivo dos bandidos em fuga da Vila Cruzeiro no Rio de Janeiro (canal de TV GloboNews) são cenas assustadoras... Os caras armados até os dentes.
Para o amigo Osvaldo Jr. as cenas dos bandidos com o armamento pesado encaixaria na música do Alceu Valença na voz do Ney Matogrosso.
Os caras com os fuzis nas mãos são bandidos, nada revolucionário... O Rio não merece!



FM Rebeldia (Alceu Valença)

Um dia eu tive um sonho
Que havia começado a grande guerra
Entre o morro e a cidade
E o meu amigo Melodia
Era o Comandante-em-Chefe
Da primeira bateria
Lá do morro de São Carlos
Ele falava, eu entendia
Você precisa escutar a rebeldia
Pantera Negra, FM Rebeldia
Transmitindo da Rocinha
Primeiro comunicado
O pão e circo e o poder da maioria
Um país em harmonia
Com seu povo alimentado
E era um sonho ao som
De um samba tão bonito
Que quase não acredito
Eu não queria acordar
Pantera Negra, FM Rebeldia
Transmitindo da Rocinha
Primeiro comunicado
Um dia desses
Alguém falava, eu entendia
Nós precisamos conviver em harmonia
Ele falava, eu entendia
Você precisa escutar a rebeldia
Pantera Negra, FM Rebeldia
Transmitindo da Rocinha
Primeiro comunicado

quarta-feira, novembro 24, 2010

"Eu, Odair José e o Se Rasgum" por Elias Pinto

Olha mais um texto do jamburânico Marechal Ribeiro Pinto, vulgo Elias...
Vejam com que facilidade o Elias transitava no Guamá e por sobre as estivas do antigo pedaço boêmio (uma espécie de sodoma e gomorra tupiniquim) de Belém: a velha e safada Condor. Namorar por lá (anos 70/80) com as garotas perdidas, era uma aventura... O Elias, tenho certeza, ainda irá registrar com tintas carregadas de nostalgia aqueles tempos malucos, saudades da gonorréia...
Mas deixa pra lá!
Vamos ler o texto que foi publicado hoje no jornal o "Diário do Pará". Quanto mais jamburana ingerida, mais lembranças dos loucos anos 80, dá-lhe Elias!
_____________________________

Eu, Odair José e o Se Rasgum (Elias Pinto)
1. Vivendo e (des)aprendendo. Quer dizer que eu já era vanguarda desde o Guamá velho de guerra, do Palácio dos Bares, Patesco e outros inferninhos. Explico, explico, deixem de fissura.
2. Naqueles idos de 1979, 1980, por ali, a bordo da minha Belina cor de batida de jamburana, subindo ou descendo para a UFPA, eu costumava parar num dos bares nos arredores da praça Princesa Isabel, na Bernardo Sayão. Descia já carregando uma pilha de elepês, de Led Zeppelin, John Lennon, Doors e Miles Davis a Mike Oldfield, Alceu Valença e Diana Pequeno, passando por Charlie Parker, Chet Baker, Xangai e a turma do Clube da Esquina.
3. Enquanto mandava descer um Conhaque de Alcatrão São João da Barra, o conhaque do milagre (e desse milagre meu fígado é testemunha), pedia ao dono da birosca para ir tocando o meu repertório. Evidentemente, de vez em quando eu acedia (não é acender, eu não acendia nada, acredite se quiser) e abria uma exceção para atender o gosto da freguesia normativa do botequim, que, ameaçando descarregar o trabuco na minha cara, diziam – com a gentileza peculiar aos nativos daquela região guamaense – para dar um tempo naquela música de veado e tocar coisa de gente (ou de corno, comentário que eu me escusava de dizer em voz alta), tipo Reginaldo Rossi e Odair José.
4. Para agradar a gregos e guamaenses, passei a incluir no meu catálogo de elepês, além dos Pink Floyd cabeças, discos de Benito di Paula, Agnaldo Timóteo, Altemar Dutra e Nelson Ned, mostrando aos botequineiros que eu também, “avant la lettre”, era brasileiro e não desistia nunca.
5. Quem passasse por aquele bar, mesmo lá do asfalto (que para chegar até ele tinha de se equilibrar por uma longa e descabelante estiva, minha tradução, aproximada, para “The long and winding road”, do Paul McCartney), não entenderia como Lou Reed e Alípio Martins, Thelonious Monk e Fernando Mendes podiam sair da mesma vitrola de um boteco de periferia. Era eu pregando a fusion do chiclete com banana, da maçã com açaí, espécie de antecessor visionário do Se Rasgum.
6. Pois não foi esse espírito sonoro ecumênico que regeu a mais recente versão do Festival Se Rasgum, duas semanas atrás, ao reunir Otto, André Abujamra, Madame Saatan e Odair José no mesmo embalo dissonante? Então eu já era Me Rasgum todo naquele pé-imundíssimo no Guamá, celebrando o caldeirão da Cuca (não, querida, não é você) naquele sítio do picapau amarelo ensandecido que tinha à porteira o boqueiro Milton Gaivota. Não me perguntem como eu descobri e elegi aquele boteco sem-lei para beber e ouvir música. E muito menos como saí dali vivo. E também não venham, como costumam fazer, me chamar de elitista quando esculhambo Calypso e essas outras paradas chimbicadas. Nada a ver. Como diria o meu amigo Martinho, elitistas são vocês, eu não passo de um pobre pós-joyceano e quem quiser ser como eu vai ter de pestanejar um bocado, um bom bocado. Falando nisso, me passa um brigadeiro.
7. E falando no bregueiro Fernando Mendes lembrei de um namoro dos meus tempos de moleque que ia passar férias em Santarém. Durante uma dessas férias, namorei entre janelas, eu na da casa da minha avó, e a minha Rapunzel na torre, digo, na janela de sua casa, do outro lado da rua.
8. Ficávamos assim, espelhados, em arrulhos de janela a janela, enamorados. Eu teria pouco mais de 10 anos. Ela mais velha pouquinha coisa. Faltava-me a coragem de atravessar a rua e declarar-me. A vizinhança, óbvio, foi testemunha dessa muda paixão platônica, digo, tapajônica.
9. Pois sabem qual era a trilha sonora desse amor intervalado? Era um grande sucesso popular da época, e quem ouviu jamais esquecerá. Era “Cadeira de rodas”, de Fernando Mendes. Claro que você lembra, foi um dos maiores hits musicais do início dos anos 70. “Sentada na porta/ em sua cadeira de rodas ficava/ seus olhos tão lindos sem ter alegria/ tão triste chorava/ mas quando eu passava/ a sua tristeza chegava ao fim/ sua boca pequena no mesmo instante/ sorria pra mim...”. Bateu?
10. Pois bem, como praticamente só via, da minha amada, a metade do corpo que se debruçava sobre a janela, a música alimentava as chamas da minha imaginação, que via a parte oculta de seu corpo entregue a uma cadeira de rodas. Putz, podia acabar a coluna sem essa.

Lima Barreto: Mauro Rosso e a literatura brasileira.

Amigos da blogosfera!
A postagem sobre Lima Barreto de Elias Pinto, trouxe até o nosso blog o Professor Mauro Rosso. O distinto professor/pesquisador me enviou um e-mail que fortalece a nossa opção por divulgar a literatura brasileira, a nossa cultura... Obrigado Professor Mauro Rosso!

"caro Pedro,
com grande satisfação vejo seu inusitado empenho em difundir o nome e a obra do grande Lima Barreto. solidarizo-me, identifico-me, congratulo com vc. eu, professor e pesquisador de literatura brasileira,ensaísta e escritor (7 livros ensaisticos publicados), faço de Lima um de meus elementos primordiais de estudos (os outros são Machado e Alencar), e dele publico 2 livros neste 2010: Lima Barreto versus Coelho Neto : um fla-flu literário (Difel), em outubro -- que trata de futebol, sim, e do repúdio de Lima a um esporte “estrangeiro, elitista, sectário, violento”, mas sobretudo trata de literatura e da irrascível oposição de Lima à literatura nefelibata, à linguagem de floreio, predominante no início do século XX , exatamente no que Lima se constitui (analiso isso em meu livro e no outro que publiquei : falo dele adiante) no elemento de inflexão na linguagem literária brasileira, e formulador e 'moldador' da linguagem ficcional contemporânea (o que se escreve e como se escreve hoje na ficção urbana vem dele). os modernistas, p.ex, já na década de 20, entenderam isso.
e Lima Barreto e a política: os "contos argelinos" e outros textos recuperados (PUC-Rio\Loyola), em outubro -- estendo-me aqui em algumas considerações a esta obra pertinentes, no que se diferencia em parte do livro (esplêndido) da Lilian Moritz. meu livro resgata não apenas os importantes 13 contos a que Lima deu essa rubrica("argelinos" ( no livro interpreto e explico, supostamente - como legítimo exercício intelectual\histórico - o porquê da totulagem ) mas 33 outros contos escritos na mesma época sob os mesmos teor, timbre e foco político, mas sem a linguagem, forma e estilo alegórico e de simulacro dos "argelinos". insisto nesse ponto -- e isso meu estudo diferencia-se e contrapõe-se ao brilhante trabalho da Lilian, que coloca os 46 sob a mesma rubrica de "argelinos" , quando não o são (Lilian inclui no rol um 47º conto, "Na avenida", que é COMPROVADAMENTE crônica e não conto: como de resto 25 dos 45 contos inéditos que Lilian apresenta, num incomparável, admirável, trabalho de resgate e recolha, não são contos e sim crônicas. Outro elemento, no tocante aos "argelinos" e aos 33 contos políticos que me contrapõe a Lilian está nas notas de contextualização e breves introduções que aponho a cada um deles, a meu juízo imprescindíveis para entendimento (e admiração) do leitor de hoje.
meu livro, vale enfatizar, é temático, não de foco e escala abrangente, per se já um viés de diferenciação. e além de tudo mais (ou por essa conotação especificamente temática) formulo uma interpretação, ou análise, nunca realizada em estudo da obra de Lima: seu antipatrimonialismo, no que se opunha essencialmente a toda forma de poder (do qual a República era a expressão mais bem acabada -- e seu repúdio ao futebol, p.ex. era antes e acima de tudo manifestação de sua repulsa à república).
reitero meus agradecimentos pelas atenção e acolhido, renovo as congratulações por seu belo trabalho no blog e desejo plena continuidade. trajetória.

saudações,
Mauro Rosso"

Abandonar as ilusões...

Resolvi escrever o post, depois que um amigo professor me enviou o e-mail com o texto abaixo:

"PREZADO AMIGO PROFESSOR :
Na área, esta é uma oportunidade de
recebermos uma ferramenta básica ao
sucesso de nossas atividades diárias.
Vamos divulgar, pois, para receber
a contrapartida de nosso esforço
comum...
A empresa Ericsson está distribuindo gratuitamente
'lap tops' com o objetivo de se equilibrar com a Nokia,
que está fazendo o mesmo. A Ericsson deseja assim aumentar
sua popularidade. Por esse motivo, está distribuindo
gratuitamente o novo Lap Top WAP.
Tudo o que é preciso fazer é enviar uma cópia
deste e-mail para 8 (o ito) conhecidos.
Dentro de 2 (duas) semanas você
receberá um Ericsson T18.
Se a mensagem for enviada para 20 (vinte)
ou mais pessoas, você poderá receber um Ericsson R320... "

A minha resposta ao meu amigo foi até singela, pensei, pensei e resolvi ser bem leve que nem Muhammad Ali...
Só o trabalho cria riqueza, e sempre pautei minha vida nessa crença. Por isso, nem jogo na Mega-Sena.
Trabalho alegremente para que a labuta seja prazerosa, e tem sido assim a vida inteira.
Não acredito em bondade do capitalista. Tenho até outras motivações para meter o dedo na goela do meu amigo e dizer pra ele: - Ei cinderela acorda!
Mas, resolvi despertá-lo com umas palavras do filósofo alemão do século XIX - Karl Marx.

"A exigência de abandonar
as ilusões
sobre a situação
é a exigência de
abandonar uma situação
que necessita de ilusões."
Karl Marx

sábado, novembro 20, 2010

Dúvidas?! Pergunte agora.



"Não pode ter grandes dificuldades quando abunda a boa vontade." Maquiavel

Deixo o post para os meus alunos que queiram tirar alguma dúvida. Não existindo dúvida vamos ao encontro da verdade de cada um.

Às armas cidadãos, ops! Ao peixe-frito republicanos!

Sábado, huuummm... Vou à República do Peixe-Frito.
O Marechal Elias gosta de amassar aquela pimentinha amarela na posta do peixe delicioso.
Naná tô correndo praí!
O subcomandante Osvaldo estará submetendo o pobre peixe ao terrível despedaçar de sua carne para a alegria do estômago do amigo republicano juramentado do peixe-frito.
Eu vou!

A imagem acima foi feita pelo Osvaldo Jr. antes de estraçalhar o pobre peixe.

1º Congresso Espírita Paraense.

Aproveitando que a postagem anterior foi sobre uma experiência mediúnica espetacular, faço abaixo a divulgação solicitada pelo amigo e irmão de fé e faca amolada - José Almeida.
Os caminhos que Alan Kardec desnudou com suas obras clássicas, novos estudos tem aprofundado a essência dos ensinamentos difundidos pelo Espiritismo, o 1º Congresso Espírita Paraense tem tudo para se constituir em pleno sucesso.
A doutrina espírita se apresenta como uma bússola em meio a tempestade...

"Uma ópera no além" por Wilson Malheiros

Recebo o e-mail do colega professor e juiz federal aposentado - Wilson Malheiros. Depois de escutar de um outro colega professor a experiência vivida pelo Prof. Wilson, me interessei e quando o encontrei pedi que me enviasse a história que foi inclusive publicada no jornal "Diário do Pará".

"Alô, prezado colega. Finalmente tenho condições de te mandar o que me pedes.
Está no texto aí abaixo. Já foi publicado na imprensa.
Um grande abraço. Que este e mail seja o começo de muitos.
jwmalheiros"
______________________________

UMA ÓPERA NO ALÉM (José Wilson Malheiros)

Afirma-se, com toda a razão, que hoje em dia o que não sai publicado na imprensa, não existe. Então, com a finalidade de deixar gravado para o futuro, dou a público, agora, aproveitando a ocasião, um fato que merece ser mencionado na biografia do maestro.
Neste vinte e quatro de março o Maestro Wilson Fonseca (Izoca) completou sete anos de falecido. No início do ano passado um grupo de interessados manifestou a vontade de conhecer melhor a ópera do compositor, que tem libreto e arranjo orquestral de minha autoria, pois Izoca, ao encerrar essa obra, infelizmente não teve mais condições físicas de fazer a orquestração.
Em uma das reuniões, um fato incomum aconteceu. Veja o texto da declaração que tenho em meu poder:
“DECLARAMOS que no mês de abril/2008 estivemos reunidos, uma tarde, na residência de José Wilson Malheiros da Fonseca, em Belém Pa., mais precisamente da dependência que ele denomina de “gabinete”.
Passamos a tarde vendo e escutando as partituras da ópera Vitória Régia, um Amor Cabano, música de Wilson Fonseca (Izoca).
Estavam presentes, entre outras pessoas, Célia Maracajá, Luiz Arnaldo, Maestro Martinho Lutero (brasileiro, que vive na Europa), José Wilson e sua esposa Damea.
Quando acabamos de ver, escutar e comentar o libreto e as partituras, mais ou menos pelas seis da tarde, o computador foi totalmente desligado. Não havia, na casa, mais nenhum aparelho eletrônico ligado, nem rádio, nem televisão, aparelho reprodutor de CD, cassete etc, estando também a máquina filmadora da Célia (que nem foi usada nessa ocasião), desligada. Tudo isto foi verificado minuciosamente pelos presentes.
Em dado momento começamos a escutar, dentro do gabinete, com grande nitidez e com razoável volume, uma voz de tenor operístico a cantar uma ária que não conseguimos identificar.
Ao chegarmos perto da “voz” sentíamos como se estivéssemos perto do “cantor”. Todos ficaram perplexos.
Esse fenômeno durou mais ou menos meia hora. A sensação era de que alguém, que não podíamos ver (apenas escutar) estava ali bem próximo de nós, cantando, mesmo.
Atestamos que o acima relatado é verdade.
Assinam o documento como testemunhas presenciais (tudo reconhecido em cartório):
Luiz Arnaldo Dias Campos, produtor cultural, cineasta. Célia Maracajá, produtora cultural, atriz. Damea Gorayeb S. Fonseca, professora”.
A coincidência se repete: no início do século vinte, como atesta bibliografia abundante, um maestro e professor recém chegado da Itália também assistia, em companhia de pessoas ilustres da sociedade da época, os fenômenos espirituais que ocorriam em Belém na casa do casal Eurípedes e Ana Prado.
O maestro era Ettore Bosio, que inclusive bateu algumas fotos que estão na internet.
Fica, portanto, registrado o fato. Onde não se pode criticar, todos os elogios são suspeitos. Fique à vontade para emitir sua opinião sobre o fato.

Missão Cumprida!

Uma crônica da vida real...
Depois do vídeo sobre o envelhecimento, dizer o quê???
Relaxe e curta a "Missão Cumprida!" Ahahaha...

Sonhos, envelhecer...

Para Paul McCartney
Eduardo Bueres
Xico Rocha


O amigo Nilton Atayde enviou-me o vídeo abaixo.
Nilton tem formação em filosofia e sempre que conversamos ele compartilha generosamente pitadas de Nietzche, Aristóteles, Platão, Ortega y Gasset e muitos outros filósofos.
O vídeo em poucos segundos, revela a condição humana e desperta a necessidade de não deixarmos os sonhos para amanhã.
Envelhecer, valeu a pena...

sexta-feira, novembro 19, 2010

Lima Barreto II por Elias Pinto.

O post complementa a matéria que foi publicada domingo passado no jornal "Diário do Pará".
Elias Pinto escreve sobre o escritor "maldito" Lima Barreto.
Boa leitura!

OBRIGATÓRIO PARA JORNALISTAS
Em Isaías Caminha, seu romance de estréia (leitura que ainda hoje deveria ser obrigatória para estudantes de jornalismo e jornalistas de um modo geral), em que disseca os intestinos da imprensa, Lima pagou o atrevimento de cutucar o chamado quarto poder com a pena curta: seu nome foi incluído no índex dos principais jornais cariocas, em particular no Correio da Manhã, cuja redação e direção lhe serviram de matéria-prima para a modelação romanesca. O nome de Lima Barreto foi proibido de ser escrito, no hoje já extinto jornal, mesmo depois da morte do romancista.
Para uma certa crítica (principalmente a contemporânea do escritor), o Isaías Caminha evidencia o temperamento ressentido do autor, que dá vazão às suas amarguras, revoltas e decepções. A sua obra de romancista seria, desta forma, não completamente realizada em decorrência – independente das qualidades que se lhe devem reconhecer – de uma constituição neurótica, somada aos ressentimentos, aos desregramentos, à dipsomania e aos recalques atirados contra uma sociedade de que se acreditava desdenhado. Já a outra ponta da crítica assinala o parentesco universal do mulato nascido em Laranjeiras com escritores cuja marca representa o humanismo que se agita num permanente espírito de luta: Cervantes, Gógol, Dickens, Dostoiévski, Gorki...
Nada mais gogoliano que os personagens de Lima, os humilhados e ofendidos, protagonistas de tragédias de periferia. E é bom não esquecer que Lima Barreto foi um intelectual empenhado, culturalmente robustecido pela leitura dos grandes romances franceses (no original) e russos, de que nos dá prova a “Limana”, o nome que deu à sua biblioteca particular.
Aliás, a par do temário de sua obra incluir praticamente tudo o que de mais relevante oferecia a realidade de sua época – que se reflete de tal forma enovelada em seus textos, concorrendo para compor um imenso mosaico, rude e turbulento da capital da belle époque, que se queria risonha, opulenta e frívola –, é não menos impressionante a galeria de seus personagens, certamente uma das mais vastas e variadas da literatura
brasileira. São burocratas, apaniguados, padrinhos, arrivistas, charlatães, almofadinhas, aristocratas, militares, gente dos subúrbios, desempregados, violeiros, mendigos, ébrios, prostitutas, intelectuais, jornalistas, políticos sem caráter, enfim, uma legião de figuras representativas dos mais diversos meios, praticamente todo o Rio de Janeiro do seu tempo, condensado mais nos seus vícios que nas suas virtudes.

ENFIM, OS CONTOS COMPLETOS
Ao ser lançada em 1952, A Vida de Lima Barreto como que ressuscitou obra e autor, este morto em 1922, aquela habitando o limbo das publicações esparsas e descuidadas. Com sua biografia, Francisco de Assis Barbosa incorporou, definitivamente, Lima Barreto ao nosso cânone literário. Barbosa, ou Chico Barbosa, soube harmonizar a reportagem literária com o sabor da crônica dos bastidores, numa linha paralela à desenvolvida por um conterrâneo seu, da mesma Guaratinguetá paulista, Brito Broca.
A Vida de Lima Barreto fecundou o terreno para que brotassem As Obras Completas do autor, em 17 volumes – enfeixados pela primeira vez sob critérios editoriais de opera omnia –, organizadas com estabelecimento de texto e aparato histórico-literário pelo próprio Francisco de Assis Barbosa, com a assistência de Antonio Houaiss e M.Cavalcanti Proença, enriquecida com prefácios dos principais críticos literários, historiadores, sociólogos e filólogos do período.
Agora, três importantes lançamentos renovam o interesse pela obra do autor. O já citado Contos Completos de Lima Barreto, com organização e introdução de Lilia Moritz Schwarcz, é um volume precioso. Em vida, o autor custeou a publicação de seus livros, editados em versões baratas e com muitos erros.
Em seus diários e correspondência privada sempre lamentou a parca evidência literária que experimentou. Mais tarde, e postumamente, seus romances passaram a merecer edições cuidadosas (nas mencionadas Obras Completas), assim como as crônicas, que em 2004 foram coletadas por Beatriz Resende e Rachel Valença em edição completa.
O mesmo, no entanto, não se podia afirmar em relação aos contos, cuja história das edições muitas vezes se parece com um jogo de quebra-cabeças. A coletânea recém lançada reúne o conjunto completo (149) de contos produzidos por Lima Barreto até hoje conhecidos. Fazem parte desta obra os contos publicados pelo autor em vida; os que ganharam espaço em edições póstumas, publicados sem o aval do escritor; e os deixados sob a forma de manuscritos, completos ou não, guardados em tiras de papel no acervo da
Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, muitos deles inéditos. Melhor ainda, foram incluídas notas explicativas sobre o estabelecimento do texto, acerca de termos, expressões locais e personagens utilizados e introduzidos por Lima Barreto. Tanto os contos menos conhecidos quanto alguns mais famosos, como “A nova Califórnia” e “O homem que sabia javanês”, ressaltam o aspecto autobiográfico que, segundo a organizadora, perpassa toda a carreira do escritor.

ILUSÕES PERDIDAS
Mais de cem anos depois de sua primeira edição, em 1909, o romance de estréia de Lima ganha uma edição gostosamente manuseável, charmosa e editada com esmero, incluída no selo de ficção da Penguin & Companhia das Letras. Ambientado no Rio de Janeiro do começo do século
XX, o livro narra a história de um jovem mulato, culto e inteligente, de origem modesta, cheio de sonhos de glória e reconhecimento intelectual – e a semelhança com a juventude de Lima Barreto não está longe de ser mera coincidência. O romance se constrói em torno das ilusões perdidas de Isaías, revelando o ambiente fútil e superficial da elite da cidade no tempo da grande reforma de Pereira Passos. É a última fase de brilho da Rua do Ouvidor com seus cafés, confeitarias e as redações de grandes jornais (já falei, anteriormente, sobre o Correio da Manhã), em que o sucesso literário esteve sempre associado ao sucesso mundano. Inaugura a literatura militante que o autor exercitará em toda sua obra. Esta edição traz introdução do crítico Alfredo Bosi (texto publicado originalmente em Literatura e Resistência, de 2002), e um prefácio de Francisco de Assis Barbosa, escrito originalmente para a edição de 1961 do romance. Completa o aparato editorial mais de cem notas, preparadas pela historiadora Isabel Lustosa, que desvendam o caráter memorialista deste romance à clef ao apontar as verdadeiras figuras por trás dos personagens.
Finalmente, mas não menos importante, com o refino gráfico e cuidado editorial que acompanham as edições da Cosac Naify, temos o volume Diário do Hospício e O Cemitério dos Vivos. O primeiro é um documento impressionante da internação do escritor, entre o natal de 1919 e fevereiro de 1920, no Hospício Nacional dos Alienados, no Rio de Janeiro. O segundo, uma novela inacabada, a loucura é matéria para uma história de ficção, com traços autobiográficos. Publicados postumamente, em 1953, funcionam como vasos comunicantes. Esta nova edição conta com organização e notas de Augusto Massi e Murilo Marcondes de Moura, além de trazer um prefácio exclusivo do crítico Alfredo Bosi. Para quem ao morrer no dia 1º de novembro de 1922, vitimado por um colapso cardíaco, resultado do excesso de bebida, e sem dinheiro para o enterro, que foi pago por um amigo – nada mal. A literatura, finalmente, parece dar a Lima Barreto o que este tanto lhe pediu.

P.S.: O título da página homenageia João Antônio, notável intérprete de Lima Barreto, e dialoga com o título de um livro de Antônio, Calvário e Porres do Pingente Afonso Henriques de Lima Barreto.

quarta-feira, novembro 17, 2010

Lima Barreto por Elias Pinto.

O texto abaixo é do jornalista Elias Ribeiro Pinto e discorre sobre um dos maiores escritores brasileiro: Lima Barreto. E como somos particípes da República do Peixe-Frito, resolvemos divulgar o artigo do nosso partidário para fortalecermos a nossa posição na República comandada pela Tia Naná.
O texto foi publicado no Diário do Pará - domingo (14/11/2010). Vamos publicá-lo em duas partes, ok?
eliaspintopa@uol.com.br

O CALVÁRIO DO MAIS GENIAL PINGUÇO (E PINGENTE) DA LITERATURA BRASILEIRA

Afonso Henriques de Lima Barreto, o genial mulato beberrão – filho do tipógrafo João Henriques e da professora Amália Augusta (escrava liberta, morreu precocemente, quando o filho tinha seis anos) –, nascido em Laranjeiras, Rio de Janeiro, em 13 de maio de 1881, no início da última década do Império (a
abolição da escravatura ocorreu no dia de seu aniversário de sete anos), foi o romancista por excelência da Primeira República, ou República Velha, que as páginas de seus livros espelharam implacavelmente, do Marechal Floriano Peixoto, em Triste Fim de Policarpo Quaresma, passando pelos políticos de Numa e a Ninfa até o Ministro Financeiro Felixhimino ben Karpatoso, de Os Bruzundangas.
Para Caio Prado Júnior, ele foi “um dos maiores, sob muitos aspectos o maior romancista do Brasil”. O não menos implacável crítico Agripino Grieco, taxativo, afiançou: é “o maior e mais brasileiro dos nossos romancistas”. Antonio Houaiss, por sua vez, dele disse ser o “mais engajado e mais desinteressado entre os nossos escritores”. Segundo Luciana Stegagno-Picchio, autora de uma História da Literatura Brasileira, “aqueles que reprovam em Machado de Assis o absenteísmo e a associalidade, encontram em Lima Barreto o substituto ideológico de Machado, aquilo que Machado teria podido ser se não tivesse sido Machado”.
Para o autor de Clara dos Anjos (1948, póstumo), como ele chegou a confessar várias vezes em seus diários, a literatura era uma paixão e um dever, uma forma de existência pela qual sacrificou outras. “Ah! A
Literatura ou me mata ou me dá o que eu peço dela”, suspirou, em 1920, em seu Diário do Hospício. Lima Barreto oscilou, em sua obra, entre o engajamento e o ressentimento, a confundir autor e narrador, a biografia fermentando a literatura e vice-versa. Sua história pessoal inunda a narrativa. Ao canalizar a vida para essa literatura, que lhe servia não só de expressão artística mas também de válvula de escape, tal qual os entorpecimentos alcoólicos, esta doação, paradoxalmente, comprometeu sua força como escritor. Enquanto este se singularizava naquela época beletrística e acrítica por força de seu gênio indomável, a expressão artística não se realizou plenamente – o ficcionista fracionou-se, expôs-se à irregularidade da obra.
Como assinala a historiadora Lilia Moritz Schwarcz (na introdução ao recém-lançado volume Contos Completos de Lima Barreto, análise que desde já se impõe, por sua excelência, como obrigatória para o entendimento do escritor e sua época), temos diante de nós uma personalidade complexa, ambivalente, que batalha pela autonomia de sua escrita mas se sente inadaptada e incapacitada de realizar tal propósito, por conta de sua origem social e étnica ou seu desempenho em sociedade (tema freqüente em suas crônicas, romances, diários e contos).
As ambivalências de Lima se traduzem nas inúmeras dificuldades enfrentadas por um escritor negro, pobre e do subúrbio que, para vingar no nascente mercado das letras nacionais, atuou em muitos sentidos e de maneiras variadas. Construiu sua literatura como uma espécie de voz isolada das periferias (ele praticamente inaugurou, no romance, o subúrbio carioca, esse “refúgio dos infelizes”, do qual ele era expoente); transformou-se em algoz do feminismo nascente (a despeito de criar personagens comoventes entre mães, amantes e empregadas); destacou-se como interlocutor crítico das teorias científicas ou arauto desconfiado da modernidade; fez-se escritor negro numa sociedade dada a todo tipo de jogo social no sentido de camuflar e não evidenciar a cor. Ele foi o primeiro autor brasileiro a se reconhecer e definir como literato negro. Assim ele constrói uma literatura negra.

VIA-SACRA DOS BÊBADOS
Hoje reconhecido como um pioneiro no romance social no Brasil, a literatura de Lima Barreto consolida-se a partir de um repertório de diferenças: negro em meio a uma sociedade intelectual branca; pobre (consegue seu ganha-pão com um posto modesto no serviço público, sendo nomeado em concurso de 1903 como amanuense da Secretaria de Guerra), num contexto social com aspirações e ares de riqueza; morador do subúrbio que circula entre pares da corte, além de dificuldades afetivas.
Frente aos reveses da vida, o homem desperdiçou-se no álcool, onde foi buscar abrigo a uma vida pela metade. À outra metade, a literatura, ele não conseguiu imprimir a força capaz de combater o discurso de corte acadêmico de sua época e triunfar – ao menos da forma como, em sua ambivalência, pretendeu, a exemplo das frustradas tentativas de ingressar na Academia Brasileira de Letras; a primeira não foi sequer considerada, e numa terceira vez ele retirou a candidatura.
“No álcool, procurava anular-se por completo, ser esquecido, desaparecer. Na literatura, ao inverso, tentava afirmar-se, ser alguém, deixar em suma a marca da sua passagem na terra”, registra seu biógrafo, Francisco de Assis Barbosa.
“O uso imoderado do álcool não tardaria a se manifestar de modo desastroso na saúde de Lima Barreto. Alimentando-se mal, passando dias inteiros sem comer, a perambular pelos bares e botequins da cidade, cumprindo a via-sacra dos bêbedos, ia sucumbindo aos poucos no desregramento da vida boêmia”, diz Barbosa em A Vida de Lima Barreto (é de 1952 sua primeira edição), que já foi considerada (e hoje segue sendo um clássico) a melhor biografia de um escritor brasileiro.
Mas não pense o leitor que, ao longo de seus escassos 41 anos de vida, em meio a atribulações domésticas, calvários e porres, Lima Barreto quedou-se estéril. O seu volume de produção é um dos mais expressivos e intensos de que se tem notícia no Brasil, ainda mais se considerarmos que após 1918 (quatro anos antes de morrer) ele esteve eclipsado pelo alcoolismo e pelas internações em sanatório e que, aos 37 anos, foi considerado inválido para o serviço público. E desde cedo conviveu com o pai louco dentro de casa (que morreu dois dias depois da morte do filho). Ainda assim, produziu textos para 17 volumes em livro.
Podemos dizer que nos restaram espasmos de uma grande arte, o que se pode constatar em seus três romances mais célebres: Recordações do Escrivão Isaías Caminha (1909), Triste Fim de Policarpo Quaresma (sua obra-prima, de 1916) e Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá (e há quem veja neste o seu melhor romance, de 1919), onde ele alcança, entre um desnível e outro, seus momentos mais altos, momentos mais altos talvez condensados em alguns de seus contos, onde a brevidade do gênero escapou à irregularidade do romance, e de que são exemplos “O homem que sabia javanês” e “A nova Califórnia”, peças dignas de figurar no melhor do conto universal.

Gandhi e a desobediência

"A desobediência civil é um direito intrínseco do cidadão.
Não ouse renunciar, se não quer deixar
de ser homem.
A desobediência civil nunca é seguida
pela anarquia.
Só a desobediência criminal
com a força.
Reprimir a desobediência civil
é tentar encarcerar
a consciência."
Mahatma Gandhi

segunda-feira, novembro 15, 2010

"Não o passado corroendo o futuro!" (Clarice Lispector)

Para quem gosta de Clarice Lispector, abaixo algumas linhas da maior escritora brasileira. Nascida em Tchetchelnyk, uma pequena aldeia da Ucrânia em 10 de dezembro de 1920, os pais judeus resolveram vir para o Brasil e Chaya a filha caçula do casal Pinkouss e Mania Lispector, recebe o nome Clarice. Mais informações de Clarice na internet, mas acima de tudo conheça os livros de Clarice. Leia as linhas abaixo:

"Um dia virá em que todo meu movimento
 será criação, nascimento, eu romperei todos os nãos
que existem dentro de mim,
provarei a mim mesma que nada há
a temer,
que tudo o que eu for
será sempre onde haja uma mulher
 com meu princípio,
erguerei dentro de mim
o que sou um dia.
Eu serei forte como a alma de um animal
e quando eu falar serão palavras
não pensadas e lentas,
não levemente sentidas,
não cheias de vontade
de humanidade,
não o passado corroendo
o futuro!"
(Clarice Lispector - Perto do Coração Selvagem)

Crônicas do Xingu IV por André Nunes.

"Arapujá. Nunca soube porque, nem donde vinha esse nome. Nem me lembro,antes de hoje, haver sequer matutado sobre o assunto. Quando nasci, já era. Quando meu pai chegou por aqui, há mais de um século, também.
Acho até que já nasceu Ilha do Arapujá.
Fica bem defronte de Altamira, a qual, já se vê, chegou bem depois.
Divide o Rio Xingu, este, sim, chegou antes, e deve ter sido seu idealizador, arquiteto e construtor.
A parte que nos coube é a da margem esquerda, de quem desce o rio, naturalmente.
A parte que me cabe, é a que ficou gravada na retina, na mente, no coração.
Imagem de menino, de adolescente, de adulto, de velho. Imagem de sempre. Eterna.
Quando criança pensei que nunca ia morrer. Como toda criança.
Os mais velhos riam e ensinavam: ninguém vive para sempre.
Eles não me entendiam. Isso não valia para mim.
Nunca mais falei no assunto, apenas, inventei, para fugir de tão negro determinismo, um vaticínio pessoal. Só meu que não podia ser compartilhado com ninguém:
- Nunca vou ficar velho e só vou morrer quando a Ilha do Arapujá acabar.
Pronto. Não se fala mais nisso.
E acompanhei a Ilha, a Ilha seguiu a lua, que seguiu me seguindo.
Naquele tempo havia a beira do rio, onde as mulheres lavavam roupa, as crianças brincavam, nadavam, pescavam. Mandi, cará, freixeira, pacu, branquinha.
Já maiores, taludos, ao cair da tarde, era o sítio ideal para confidências de amores, paixões, sonhos e questionamento do mundo.
À tarde a Ilha do Arapujá pegava o sol de frente. Ficava como que iluminada.
Quando o sol se punha por trás da cidade ela era apenas uma sombra refletida no espelho dágua. Mas sabíamos que sempre estaria lá, ouvindo a conversa. Cúmplice. Confidente. Atemporal.
Para nós outros, os anos passavam. Eles sempre passam. Menos para ela, a Ilha. Continuava a mesma, imponente, majestática e ao mesmo tempo fugaz. Diluía-se na paisagem como para não se fazer notar. Pudor de quem se sabe superior, eterno.
Três vezes por mês a Ilha se vestia de gala. Época de lua cheia.
A lua cheia para nós durava duas, três, até quatro noites. Era pontual.
Certo dia o Elio Miguez ainda tentou dar uma aula de astronomia. Falou bonito, de poesia, de lua peregrina, de plenilúnio, a tentar convencer-nos de que a tal pontualidade nunca poderia acontecer em mais que um dia. Risada geral. Claro que saía sempre no mesmo horário.
Ninguém ali tinha relógio. Ela, a lua é quem ditava a hora.
E saía pontualmente à hora que quisesse.
Ficávamos em silêncio apostando quem primeiro via o cocuruto da lua surgindo e vestindo o Arapujá com um manto ouro, prata, púrpura.
Um véu de noiva, branco, como uma estrada diáfana, espraiava-se pelo espelho dágua quase até onde estávamos."

Obs.: Post acima foi escrito por André Nunes.

sábado, novembro 13, 2010

Avisa lá! A Comitiva vai voltar...

O 1º CD esgotou rapidinho, as 1.000 cópias mandadas prensar pelo nosso produtor executivo e patrono Xico Rocha foram insuficientes para a procura dos amigos e fãs, ahahaha... Não temos ainda o fã clube, mas é uma questão de tempo e paciência. O certo é que nem eu tenho o nosso primeiro CD, é isso mesmo! Um amigo pediu para copiar no computador e não me devolveu.
Começamos a gravar o 2º CD no início do ano e só agora iremos retornar ao estúdio para finalizar o trabalho e depois enviar para MCK em São Paulo para a masterização, mixagem e prensagem dos Cds.
Posso garantir que o 2º trabalho será muito melhor que o primeiro, tivemos o reforço do amigo Rogério Friza no violão, vocal e composição, muito bom o cara.
Acima a imagem do nosso vocalista e dublê de MaGaiver - Eduardo Bueres com duas tatuagens cravadas no corpo: um coração em homenagem a mãe e a outra tatuagem uma marca de pata de leãozinho, huuummm... Deixa pra lá!
Avisa lá!
Que a Comitiva vai voltar...

sexta-feira, novembro 12, 2010

Souvenir do Osvaldo.

Peixe-frito e algumas cervejas...
O Osvaldo guarda a comanda como souvenir.
O melhor peixe-frito!

quarta-feira, novembro 10, 2010

Cuidado com a depressão!

A Ilha do Arapujá vai morrer... Morremos nós...

Alguns blogueiros podem se perguntar: - Por que o CitadinoKane está publicando essas Crônicas do Xingu?
Primeiramente, porque conheci o Xingu de perto, trabalhei um ano numa mineradora, extraí do coração do Xingu muita cassiterita... Quer dizer, ajudei a arrancar da floresta muita riqueza.
Segundo, as crônicas do André são motivadas por um aspecto bastante relevante, além do sentimental: - Vão construir uma usina hidrelétrica bem no meio do Xingu - a usina de Belo Monte.
André escreve como se fosse um parto... as imagens do Xingu estão em suas entranhas. Coça a cabeça num esforço de rememorar depois de tanto tempo impressões que ele registrou do seu lugar...
O Xingu não será o mesmo depois de Belo Monte... Não será.
A Ilha do Arapujá deixará de existir.
A imagem acima, foto de Dalton Ramos, a Ilha do Arapujá em pôr-do-sol, verdemente linda desafiando o tempo e os homens.
Em suas crônicas André Nunes revela essa certeza - a Ilha do Arapujá morrerá. Ele, André, morrerá metaforicamente, mas, o velho xamã sentencia, como quem roga uma praga: - A vida se esvai com Arapujá. Morremos todos com Arapujá.
Há algum tempo, encostei o vinho Periquita... Sou municiado por uma bebida milenar que o xamã André Nunes herdou dos índios Xipaias, ali da região do Xingu, estou falando do licor de Jamburana.
Li todas as crônicas umedecendo os lábios e língua com Jamburana, o transe é inevitável...
Em cada linha das crônicas a emoção se alevanta...
Leiam as crônicas do Xingu, considero um dos últimos suspiros da Ilha do Arapujá.
Ave Arapujá!
Ave André Nunes!

Crônicas do Xingu III por André Nunes

"A tarde faz pouco se foi. A Rua da Frente é voltada para o nascente.
Não se vê o pôr-do-sol.
Embora ainda paire o lusco-fusco, as luzes da cidade já se acenderam, mas ainda dá para divisar a ilha defronte que a estas horas parece que se torna maior, mais alta, pois à sua real dimensão, soma-se o reflexo das águas do rio. Não se distingue onde acaba o vero e começa o virtual. Nem isso tem a menor importância.
Não se notam os detalhes, mas também não chega a ser um mancha uniforme. Aqui e ali, uma copa mais frondosa se destaca contra o céu.
Samaumeira? Talvez.
A Ilha do Arapujá está lá, como sempre esteve, desde que o mundo é mundo. Milagrosamente intocada. Nunca ninguém se adonou dela. Não, que não se houvesse tentado, mas felizmente as investidas não prosperaram.
Arredondada, com um lago no meio, terá, talvez, uns cinco a dez quilômetros de comprimento. Isso também não importa.
Quando eu era menino ela era enorme. Fui crescendo e ela diminuindo.
Felizmente cedo a gente para de crescer. Em contrapartida é quando as coisas deixam de diminuir. Bom para mim, bom para a Ilha.
O Arapujá, não segue o padrão de toda ilha fluvial onde o caudal castiga a parte de cima, a corredeira escorre pelos lados, e acumula a areia no remanso da parte de baixo formando praia rasa.
Como o desenho de um cometa ou de um espermatozoide. Não, ela tinha que ser diferente. A praia que formou fica na parte de cima. A montante.
À noite, não se veem luzes na Ilha do Arapujá, ao contrário do Morro do Forte e do Pedra no Navio que lhes confrontam abaixo e acima, onde a cidade já chegou.
Olhando-se da beira do rio, se tem a impressão que o largo na frente da cidade é como um golfo ou um mar interior, mediterrâneo.
Todos os largos de rio que conheço têm nomes. No Baixo, são baías.
Baía de Souzel, de Porto de Moz, de Gurupá, de Curralinho, de Caxiuaná, do Marajó, de Guajará.
Rio acima chamam-se largos, mesmo. Largo do Souza, da Dourada, dos Mutuns, da "Cu de Pilão".
Este aqui, não tem nome, por isso, o chamávamos de Mare Nostrum.
Na ponta de baixo, onde o Arapujá chegava bem perto do Morro do Forte divisávamos nítidas as Colunas de Hércules. Gibraltar.
Subindo o rio, onde a ilha mais estreitava com a pedra do Navio e a ilha do Dimas, era, diz-que, o canal de Constantinopla."

Obs.: O texto acima é de André Nunes o "xamã do uriboca".

Maria da Penha nos magistrados machistas!

Prestem bem atenção no que eu vou dizer, sentenças presepeiras dadas por juízes machistas, receberam ontem um duro golpe, o Conselho Nacional de Justiça - CNJ afastou de suas funções o juiz que chamou a Lei Maria da Penha de "regras diabólicas", o magistrado não apenas chamou como sentenciou contrariando a lei nos casos que foram levados a sua apreciação.
O juiz Edilson Rumbelsperger Rodrigues ficará afastado por 2 anos e recebendo salário.
O juiz foi acusado em 2009 de estimular o preconceito contra a mulher.
Ontem terça-feira(9/11/10) o CNJ determinou o afastamento do magistrado da comarca de Sete Lagoas(MG) por dois anos. A acusação era de que ele usava uma linguagem discriminatória e preconceituosa nas sentenças nas quais considerava inconstitucional a Lei Maria da Penha.
O pior de tudo, o magistrado rejeitava os pedidos de medidas contra homens que agrediram e ameaçaram suas companheiras.
Leiam a pérola lavrada pelo defensor de valores medievais, não será outra a conclusão, vejamos:
"A vingar esse conjunto de regras diabólicas, a família estará em perigo (...) Ora, a desgraça humana começou no Éden: por causa da mulher. Todos nós sabemos, mas também em virtude da ingenuidade, da tolice e da fragilidade emocional do homem".
Por 9 votos a 6, o CNJ decidiu colocar o juiz em disponibilidade, sanção pela qual o magistrado é afastado de suas funções por pelo menos 2 anos, recebendo salário proporcional ao tempo de serviço. Só depois desse período ele pode pedir autorização para voltar a atuar.
O ministro Carlos Ayres Britto, presidente em exercício do CNJ, salvaguardou a minha posição sobre o caso: “A visão que o magistrado em causa tem da mulher entra em mortal rota de colisão com a Constituição. O juiz decidiu de costas para a Constituição. A mulher é obra prima da criação. Acho que Deus só chegou à compreensão que era Deus quando chegou ao molde da primeira mulher”.

Crônicas do Xingu II por André Nunes.

"Estamos em fins de agosto. Tempo de praia e ovo de tracajá. O rio esta baixo. O muro de arrimo que nada arrima, pois nada havia a arrimar, é bem alto. Há umas escadinhas de cimento, estreitas, íngremes, coladas no paredão. Não dá para subir com mercadoria ou mesmo bagagem pessoal.
Nas extremidades da “avenida”, partes menos nobres, há rampas de embarque e desembarque.

Não convém que índios, ribeirinhos e pescadores conspurquem, com seus andrajos, o lócus de lazer da nova elite.
Seria no mínimo antiestético.

Perto de onde estou, na extremidade de baixo, há a casa dos índios.
Por vezes os vejo passar.
Criaturas estranhas, vestidos como cristãos, mas deselegantes, fora de moda, descalços, ou com sandálias de dedo.

As mulheres arrastando curumins passam cabisbaixas, tímidas, deslocadas, sem fitar as pessoas, meio que apressadas, como a passar por um corredor polonês de olhares e gestos, quando não explicitamente hostis, fingindo indiferença. Cunhãs.

Creio que os índios, os ribeirinhos, os pescadores, enfim, os despossuídos, só se sentem em casa, quando atravessam a tal mureta e pisam a areia e a grama da beira do rio.

O Xingu é democrata.

Sinto um nó na garganta. Impotência. Vergonha."

O post acima foi escrito por André Nunes, escritor, paraense, cabôclo nascido (dizque) no Xingu, tem um restaurante chamado "Terra do Meio".

Crônicas do Xingu por André Nunes

Ao ler o que escreveu o xamã André Nunes sobre a sua vivência com o Xingu e a Ilha de Arapujá, gostei tanto que vou compartilhar as sábias palavras do homem que sempre viveu e vive, não teve nascimento e nem haverá de ter morte.
Um cronista daquela região... Abaixo excerto do artigo escrito no blog "TipoAssimFolhetim" do André Nunes.

"Escrevo livros, planto árvores, fiz filhos. Os cabelos brancos são uma falácia biológica.
Não fiquei velho. Essa parte do vaticínio, lembra, eu cumpri. Sempre terei a idade do meu neto mais novo.
Cultivo, e por vezes cultuo o passado sem nostalgias.
O meu tempo é agora. Sempre o presente. Até quando navego contra o vórtice da idade. Vejo e sinto com nitidez que o ontem nada mais é do que o presente de então, com sua circunstância, seus conceitos.
O presente é, apenas, o passado do amanhã.
Assim é fácil não envelhecer. Há que entender que a estrada da vida é a mesma. O que muda é a pavimentação. Ora de terra, poeirenta, cheia de buracos, ora plana, lisa, asfaltada.
Não sei se é curta ou longa, mas sei que de qualquer ponto consigo, com nitidez, divisar as estações que percorri.
Em cada uma delas, alguém ensinou-me alguma coisa.
No caminho, sempre tentava transmitir o que aprendera. Alguns ouviram, outros tantos, apenas trocaram de assento.
Se mais não ensinei terá sido porque pouco aprendi.
Devo, por minha vez, haver, mais do que devia, trocado de lugar.
Em cada trecho da estrada sempre havia uma renovação. O termo certo talvez seja atualização.
Novos aprendizados que se somavam aos antigos saberes.
Desta maneira fui enganando o cronômetro da vida.
Sem essa de Peter Pan ou Dorian Grei.
Apenas, as gerações foram passando, e eu me recusei a ir ficando.
A nova beira do rio de Altamira, agora tem uma mureta que a modernidade chama, não sei porque, de cais.
A rua da frente, das mangueiras, virou uma ampla “avenida”. Gramados e jardins, por vezes até bem cuidados. E bares. E telões. E caixas de som do tamanho de prédios. Não há música. Apenas som. Se é bom ou ruim é irrelevante. Não cabe aqui a expressão “o tempora, o mores”, até porque, cada “tempora” há que ter seus “mores”. Às vezes recorrentes ou repetentes. Os “mores”, nunca os “tempora”.

Debruço-me sobre o tal muro baixo que divide a modernosa “avenida” do que restou da beira do rio."

terça-feira, novembro 09, 2010

O Babeuf do Uriboca: um Babeuf à Jamburana - Elias Pinto.

Antes de postar o artigo do Elias Pinto que foi publicado(3/11/2010) no jornal O Diário do Pará, quero fazer coro com o amigo André Nunes e afirmar - esse Elias Pinto é um sacanocrata juramentado pelo peixe-frito da Naná e a cerveja gelada do Fernando e abençoado pelas águas puras do uriboca e fortalecido pelo licor de lombra(jamburana) do André.
André em e-mail endereçado ao blog diz: - Salve, companheiro Mefisto! Segue a coluna aditivada desse Babeuf em transe, um Babeuf à Jamburana.
Vamos ler a coluna do sacanocrata Elias Pinto.
_____________________________________________

O Babeuf do Uriboca (Elias Pinto)
1 Na coluna de ontem falei em pós-ressaca eleitoral. Sabemos, claro, quem amanheceu, na segunda, de carraspana com o resultado das urnas. A minha comemoração democrática, na verdade, foi de véspera, no sábado antes da eleição.
2 Assumi minha bancada no restaurante Terra do Meio, o arquipélago de malocas gastronomicamente ecológico do companheiro André Costa Nunes que se ergue sobre as vivências do Uriboca, lá em Marituba. Ali exercemos nossa rústica e não menos bucólica democracia, de que são tribunos, além de mim e do próprio André, a minha mulher Regina e os companheiros Pedro Nelito, Haroldo (um guerreiro eutaliano que caiu de pé como só um John Wayne, ou Tom Mix, ou Bob Nelson uribocano, sabiam, de pé, cair, enquanto, obviamente, atiravam para todos os lados) e Helena, Vinicius Kruel e Arieth La Pasionaria, e mais quem vier, feito Rosinha e Déia Palheta. Num sábado desses, sob a regência do violão da Déia, encarnamos um Xangai mais do que básico, acompanhados de coral de curupiras.
3 Mas me referi ao sábado de antes da eleição, quando consegui reunir minhas três filhas (e seus respectivos consortes, literalmente sortudos), mais a caçula Sofia. Depois, cada qual saiu com seu licor nativo debaixo do braço.
4 É que o André, encarnando uma entidade da mata em plena ebulição (um de seus heterônimos), tem prodigalizado poções e filtros mágicos, de baixo teor alcoólico, frise-se, mas com potencial encantatório que faria inveja ao imaginário de um João de Jesus Paes Loureiro. É licor de açaí, cupuaçu, manga, abricó, o irresistivelmente ardido licor de jamburana. Tudo com o selo de garantia “made in, diz-que, Uriboca”. Aliás, estou exatamente (mas exatamente é uma palavra aritmeticamente muito forte e desconforme, não condiz com os efeitos aleatórios da infusão) tomando, neste momento, a derradeira dose do meu frasco de licor de manga. André, careço de refil, de reposição para o meu hostiário.
5 Pois é, lá na minha cativa maloca quase-fona, à entrada da trilha que nos arrodeia e desafia os já encaliçados a nela entrar e varejar, nem que seja para regar e irrigar o santuário, é lá que exercemos a mais delirante, opípara, onívora e diluvial democracia – além de líquida, homenageando o preclaro sociólogo polonês Zigmunt Bauman, o homem da liquidez socialista, provando que tudo que é sólido vira líquido. Um brinde!
6 Tem vez, diante do celerado petismo do tovarich Pedro Nelito, que então me incrimino (ainda que não se deva produzir provas contra si) de direita hidrófoba, como se me baixasse o espírito de Paulo Francis, de um espírito de porco, de um tefepista (espírito que o meu amigo Sergio Nunes viveu literalmente na pele), de um Carlos Lacerda nos seus melhores dias (ou piores, dependendo da perspectiva). Mas é quando (os eflúvios emanados do igapó são poderosos) me acode um Martinho da Vila e, em vez de dizer burgueses são vocês, eu digo, traidores são vocês, direita são vocês, eu não passo de um pobre p’ssolista (pronunciar com acento lusitano). É, quando vou ao Rio meu anfitrião é o camarada Babá, aliás, nem o Babá quer mais me hospedar, diz que eu me converti num Bakunin. É isso mesmo, também escreverei o meu catecismo do revolucionário. Aguardem, petistas entreguistas, vendidos. Mas, ai de mim, estou mais para Babeuf, pobre toda a vida. E assim vamos, no caldeirão uriboquense, atravessando todas as ideologias numa só tarde. Enquanto a Sofia pesca pacuzinhos sem ter fim – reconduzindo-os depois, claro, às águas do sacrossanto igapó.
7 E agora, informação inédita, André, o Mefistófeles do Uriboca, ameaça-nos com a realização de um réveillon no Terra do Meio. Imaginem, amanhecermos zumbizunindo às primeiras luzes de 2011 sob a floresta do Uriboca – talvez até sob as águas do Uriboca. Quem (sobre)viver verá. Mas que não ouse, jamais, dizer o que viu.

É refresco no Corínthias dos outros...

Enquanto forem beldades, tudo bem...
Mas, e se a moda pegar?
Aí vou dar um pedala-robinho no remista que começar com essa graça, ok?
Tem cabôclo chato que é capaz de demonstrar a sua coragem e tatuar o escudo do Clube do Remo no mesmo lugar do corpo que a linda fêmea abaixo tatuou o timão.
A Ex-BBB Jaqueline Khury resolveu tatuar o seu amor pelo Corinthians, mas que lugarzinho interessante, não?!
Vendo o conjunto da obra, percebo volúpia e libidinagem se misturam no timão vermelho... Huuummm...
Deixa pra lá!
J.Bosco fotografa e cartuniza essa parada, mermão!

Atenção: Eduardo Bueres e Xico Rocha nada de levar a sério o post, viu?! É isso mesmo. Nada de tatuar porra nenhuma nas flácidas.

domingo, novembro 07, 2010

Jamburana, Peixe-Frito e Cartunistas...

É possível contarmos como foi o sábado através de caricaturas?
Bom, vou tentar esboçar o meu sábado...
A primeira caricatura está acima, o J.Bosco chargista do jornal "O Liberal" rabiscou no momento que cheguei no Bira's Bar, cabe aqui lembrar que o nosso irmão de fé e faca amolada - o jornalista Elias Pinto denominou o lugar de "República do Peixe-Frito" e em sua coluna no jornal "Diário do Pará" cita sempre a República frita, ops, do Peixe-Frito.
Alguém vai me perguntar se o peixe é bom mesmo, a minha resposta: - É bão pra caramba!
Brincadeiras de lado, a garçonete Naná é de uma elegância e delicadeza ímpar ao trazer a nossa cevada e o peixe-frito com aquela pimenta de cheiro encantadora.
O Professor Maurício Leal Dias é testemunha de que não existe outro "peixe-frito" melhor em nossa cidade, acabou de comer o peixe dele e ficou com um olho comprido para o meu prato... e toda hora ele dizia: -Esse peixe é uma delícia, né?!
Mas, voltando à proposta de contar o sábado pelas caricaturas.
Lafayette Nunes na sexta-feira afirmou que no sábado estaria me esperando no melhor restaurante rural da região - o "Terra-do-Meio". Não consegui fazer contato com o Lafa, mas como tudo estava certo fui pra lá, antes de pegar a estrada tentei ligar para o amigo Osvaldo Jr. para convidá-lo, tentativa frustrada, fui sozinho.
Lafayette deu furo, lembrou que tinha uma petição para entregar na segunda-feira no Tribunal de Justiça e ficou na casa dele.
Viagem tranquila, cheguei no "Terra-do-Meio" perto de uma hora da tarde, peguei uma mesa sobre o trapiche, a tranquilidade do lugar, os pássaros cantando, o rio uriboca na minha frente vivinho, peixes, tartarugas, borboletas, a sombra das árvores... Paz que nos arrebata para o éden.
Fiquei quietinho, sorvendo vagarosamente uma bebida gelada, tapinha na macaxeira-frita... Tudo em plena harmonia com os elementos naturais do lugar, tudo em plena paz!
Depois fiquei conversando com D. Ester esposa do Xamã dos Xipaias - o André Nunes. Não demorou para que o André aparecesse para compartilhar toda aquela paz e assim foi boa parte da tarde...
O André é um espírito da mata, herdou dos índios xipaias o poder de "voar" para outros mundos, especialmente quando prepara o licor de jamburana, só realiza esse preparo em noite de lua cheia e sozinho. Diante do rio uriboca conversa com Yara e pede permissão para mergulhar na nascente do rio, mergulha por entre peixes e tartarugas gigantes que habitam aquelas águas, e sob os olhares atentos dos curupiras que povoam a exuberante mata no entorno da nascente do rio. Quando emerge das profundezas do uriboca, traz um punhado de flores de jamburana roxa, aí senta na margem do rio e fica em estado estático e com os raios do luar refletidos no prateado de suas madeixas, em silêncio com os olhos azuis bem acesos, mastiga algumas flores de jamburana e balbucia um estranho dialeto, entra em transe... O corpo começa a espargir uma luminosidade mais forte que a dos raios do luar...  Nesse momento o André passa a ter acesso e contato com seus aliados: animais, vegetais e minerais. Ele consegue flutuar desafiando as leis do mundo físico, conversa com os animais, interage com os vegetais e minerais com o toque de suas mãos. Seres de outras dimensões e os espíritos ancestrais se reunem em torno do André e há um comprazimento nesse encontro. Depois que a experiência sobrenatural se esvai, a luz se desfaz e a escuridão toma conta do lugar,  André vara pela mata, cambaleante e enfraquecido pela dispersão maciça de ectoplasma, vem ofegante trazendo em suas mãos duas garrafas com a quinta-essência capturada na experiência com outros seres...
O licor de jamburana... é coisa de outro mundo, a língua e lábios ficam trêmulos em crispações e contrações espasmódicas.
Quando me despeço, o velho xamã abre um sorriso largo, o cigarro na mão direita, mais uma baforada para em seguida pedir que eu espere mais um pouco, tem um presente pra mim...
Graça, a aprendiz-de-feiticeiro, traz uma garrafa de Jamburana, fiquei todo contente, abracei a garrafa como se fosse um tesouro precioso, agradeci com toda a sinceridade d'alma ao meu velho e bom amigo André.
De volta para casa, o celular toca, Osvaldo me convidando para comer o melhor peixe-frito de Belém.
O caminho já sei de cor, chegando lá o Fernando e a Naná já arrumavam a mesa com uma bebida gelada nos esperando...
A primeira caricatura reflete esse momento.
Depois peguei a garrafa de jamburana, dei uma prova para os amigos que estavam à mesa.
A caricatura do Osvaldo abaixo reflete o momento antes da Jamburana, todo mundo descontraído.
O J.Bosco captou tudo, a nossa alegria, o sol se escondendo, a brisa da tardinha gostosa e o peixe-frito no prato com a pimenta-de-cheiro...
Depois veio o líquido precioso da Jamburana, e tome Jamburana mano!
E nos descobrimos no meio de cartunistas e chargistas - André Abreu, J. Bosco, Jota Pinto...
Todos provaram da Jamburana, mais uma dose e a gente começa a ficar introspectivo, pensativo e pensativo. Abaixo o momento captado pela pena de J.Bosco, Kane entrando em transe, ahahaha... Ô Jamburana desgraçada!!!
André Abreu e J. Bosco os cartunistas da República do Peixe-Frito, está faltando a foto do Jota Pinto.
Vamos nos encontrar todos os sábados, à tardinha, sol fraco, brisa fresca e o peixe frito da silva, ahahaha...
Foi um prazer compartilhar o peixe-frito de sábado com os que se defendem no dia-a-dia com lápis, pincéis, borrachas e muito humor.
Obs.: Ainda pedi para o J.Bosco: - Vê se não me deixa muito feio.
A resposta dele: - Não faço milagres!
Abaixo J.Bosco por ele mesmo.