quarta-feira, novembro 10, 2010

A Ilha do Arapujá vai morrer... Morremos nós...

Alguns blogueiros podem se perguntar: - Por que o CitadinoKane está publicando essas Crônicas do Xingu?
Primeiramente, porque conheci o Xingu de perto, trabalhei um ano numa mineradora, extraí do coração do Xingu muita cassiterita... Quer dizer, ajudei a arrancar da floresta muita riqueza.
Segundo, as crônicas do André são motivadas por um aspecto bastante relevante, além do sentimental: - Vão construir uma usina hidrelétrica bem no meio do Xingu - a usina de Belo Monte.
André escreve como se fosse um parto... as imagens do Xingu estão em suas entranhas. Coça a cabeça num esforço de rememorar depois de tanto tempo impressões que ele registrou do seu lugar...
O Xingu não será o mesmo depois de Belo Monte... Não será.
A Ilha do Arapujá deixará de existir.
A imagem acima, foto de Dalton Ramos, a Ilha do Arapujá em pôr-do-sol, verdemente linda desafiando o tempo e os homens.
Em suas crônicas André Nunes revela essa certeza - a Ilha do Arapujá morrerá. Ele, André, morrerá metaforicamente, mas, o velho xamã sentencia, como quem roga uma praga: - A vida se esvai com Arapujá. Morremos todos com Arapujá.
Há algum tempo, encostei o vinho Periquita... Sou municiado por uma bebida milenar que o xamã André Nunes herdou dos índios Xipaias, ali da região do Xingu, estou falando do licor de Jamburana.
Li todas as crônicas umedecendo os lábios e língua com Jamburana, o transe é inevitável...
Em cada linha das crônicas a emoção se alevanta...
Leiam as crônicas do Xingu, considero um dos últimos suspiros da Ilha do Arapujá.
Ave Arapujá!
Ave André Nunes!

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