quarta-feira, novembro 24, 2010

Lima Barreto: Mauro Rosso e a literatura brasileira.

Amigos da blogosfera!
A postagem sobre Lima Barreto de Elias Pinto, trouxe até o nosso blog o Professor Mauro Rosso. O distinto professor/pesquisador me enviou um e-mail que fortalece a nossa opção por divulgar a literatura brasileira, a nossa cultura... Obrigado Professor Mauro Rosso!

"caro Pedro,
com grande satisfação vejo seu inusitado empenho em difundir o nome e a obra do grande Lima Barreto. solidarizo-me, identifico-me, congratulo com vc. eu, professor e pesquisador de literatura brasileira,ensaísta e escritor (7 livros ensaisticos publicados), faço de Lima um de meus elementos primordiais de estudos (os outros são Machado e Alencar), e dele publico 2 livros neste 2010: Lima Barreto versus Coelho Neto : um fla-flu literário (Difel), em outubro -- que trata de futebol, sim, e do repúdio de Lima a um esporte “estrangeiro, elitista, sectário, violento”, mas sobretudo trata de literatura e da irrascível oposição de Lima à literatura nefelibata, à linguagem de floreio, predominante no início do século XX , exatamente no que Lima se constitui (analiso isso em meu livro e no outro que publiquei : falo dele adiante) no elemento de inflexão na linguagem literária brasileira, e formulador e 'moldador' da linguagem ficcional contemporânea (o que se escreve e como se escreve hoje na ficção urbana vem dele). os modernistas, p.ex, já na década de 20, entenderam isso.
e Lima Barreto e a política: os "contos argelinos" e outros textos recuperados (PUC-Rio\Loyola), em outubro -- estendo-me aqui em algumas considerações a esta obra pertinentes, no que se diferencia em parte do livro (esplêndido) da Lilian Moritz. meu livro resgata não apenas os importantes 13 contos a que Lima deu essa rubrica("argelinos" ( no livro interpreto e explico, supostamente - como legítimo exercício intelectual\histórico - o porquê da totulagem ) mas 33 outros contos escritos na mesma época sob os mesmos teor, timbre e foco político, mas sem a linguagem, forma e estilo alegórico e de simulacro dos "argelinos". insisto nesse ponto -- e isso meu estudo diferencia-se e contrapõe-se ao brilhante trabalho da Lilian, que coloca os 46 sob a mesma rubrica de "argelinos" , quando não o são (Lilian inclui no rol um 47º conto, "Na avenida", que é COMPROVADAMENTE crônica e não conto: como de resto 25 dos 45 contos inéditos que Lilian apresenta, num incomparável, admirável, trabalho de resgate e recolha, não são contos e sim crônicas. Outro elemento, no tocante aos "argelinos" e aos 33 contos políticos que me contrapõe a Lilian está nas notas de contextualização e breves introduções que aponho a cada um deles, a meu juízo imprescindíveis para entendimento (e admiração) do leitor de hoje.
meu livro, vale enfatizar, é temático, não de foco e escala abrangente, per se já um viés de diferenciação. e além de tudo mais (ou por essa conotação especificamente temática) formulo uma interpretação, ou análise, nunca realizada em estudo da obra de Lima: seu antipatrimonialismo, no que se opunha essencialmente a toda forma de poder (do qual a República era a expressão mais bem acabada -- e seu repúdio ao futebol, p.ex. era antes e acima de tudo manifestação de sua repulsa à república).
reitero meus agradecimentos pelas atenção e acolhido, renovo as congratulações por seu belo trabalho no blog e desejo plena continuidade. trajetória.

saudações,
Mauro Rosso"

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