terça-feira, novembro 09, 2010

O Babeuf do Uriboca: um Babeuf à Jamburana - Elias Pinto.

Antes de postar o artigo do Elias Pinto que foi publicado(3/11/2010) no jornal O Diário do Pará, quero fazer coro com o amigo André Nunes e afirmar - esse Elias Pinto é um sacanocrata juramentado pelo peixe-frito da Naná e a cerveja gelada do Fernando e abençoado pelas águas puras do uriboca e fortalecido pelo licor de lombra(jamburana) do André.
André em e-mail endereçado ao blog diz: - Salve, companheiro Mefisto! Segue a coluna aditivada desse Babeuf em transe, um Babeuf à Jamburana.
Vamos ler a coluna do sacanocrata Elias Pinto.
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O Babeuf do Uriboca (Elias Pinto)
1 Na coluna de ontem falei em pós-ressaca eleitoral. Sabemos, claro, quem amanheceu, na segunda, de carraspana com o resultado das urnas. A minha comemoração democrática, na verdade, foi de véspera, no sábado antes da eleição.
2 Assumi minha bancada no restaurante Terra do Meio, o arquipélago de malocas gastronomicamente ecológico do companheiro André Costa Nunes que se ergue sobre as vivências do Uriboca, lá em Marituba. Ali exercemos nossa rústica e não menos bucólica democracia, de que são tribunos, além de mim e do próprio André, a minha mulher Regina e os companheiros Pedro Nelito, Haroldo (um guerreiro eutaliano que caiu de pé como só um John Wayne, ou Tom Mix, ou Bob Nelson uribocano, sabiam, de pé, cair, enquanto, obviamente, atiravam para todos os lados) e Helena, Vinicius Kruel e Arieth La Pasionaria, e mais quem vier, feito Rosinha e Déia Palheta. Num sábado desses, sob a regência do violão da Déia, encarnamos um Xangai mais do que básico, acompanhados de coral de curupiras.
3 Mas me referi ao sábado de antes da eleição, quando consegui reunir minhas três filhas (e seus respectivos consortes, literalmente sortudos), mais a caçula Sofia. Depois, cada qual saiu com seu licor nativo debaixo do braço.
4 É que o André, encarnando uma entidade da mata em plena ebulição (um de seus heterônimos), tem prodigalizado poções e filtros mágicos, de baixo teor alcoólico, frise-se, mas com potencial encantatório que faria inveja ao imaginário de um João de Jesus Paes Loureiro. É licor de açaí, cupuaçu, manga, abricó, o irresistivelmente ardido licor de jamburana. Tudo com o selo de garantia “made in, diz-que, Uriboca”. Aliás, estou exatamente (mas exatamente é uma palavra aritmeticamente muito forte e desconforme, não condiz com os efeitos aleatórios da infusão) tomando, neste momento, a derradeira dose do meu frasco de licor de manga. André, careço de refil, de reposição para o meu hostiário.
5 Pois é, lá na minha cativa maloca quase-fona, à entrada da trilha que nos arrodeia e desafia os já encaliçados a nela entrar e varejar, nem que seja para regar e irrigar o santuário, é lá que exercemos a mais delirante, opípara, onívora e diluvial democracia – além de líquida, homenageando o preclaro sociólogo polonês Zigmunt Bauman, o homem da liquidez socialista, provando que tudo que é sólido vira líquido. Um brinde!
6 Tem vez, diante do celerado petismo do tovarich Pedro Nelito, que então me incrimino (ainda que não se deva produzir provas contra si) de direita hidrófoba, como se me baixasse o espírito de Paulo Francis, de um espírito de porco, de um tefepista (espírito que o meu amigo Sergio Nunes viveu literalmente na pele), de um Carlos Lacerda nos seus melhores dias (ou piores, dependendo da perspectiva). Mas é quando (os eflúvios emanados do igapó são poderosos) me acode um Martinho da Vila e, em vez de dizer burgueses são vocês, eu digo, traidores são vocês, direita são vocês, eu não passo de um pobre p’ssolista (pronunciar com acento lusitano). É, quando vou ao Rio meu anfitrião é o camarada Babá, aliás, nem o Babá quer mais me hospedar, diz que eu me converti num Bakunin. É isso mesmo, também escreverei o meu catecismo do revolucionário. Aguardem, petistas entreguistas, vendidos. Mas, ai de mim, estou mais para Babeuf, pobre toda a vida. E assim vamos, no caldeirão uriboquense, atravessando todas as ideologias numa só tarde. Enquanto a Sofia pesca pacuzinhos sem ter fim – reconduzindo-os depois, claro, às águas do sacrossanto igapó.
7 E agora, informação inédita, André, o Mefistófeles do Uriboca, ameaça-nos com a realização de um réveillon no Terra do Meio. Imaginem, amanhecermos zumbizunindo às primeiras luzes de 2011 sob a floresta do Uriboca – talvez até sob as águas do Uriboca. Quem (sobre)viver verá. Mas que não ouse, jamais, dizer o que viu.

13 comentários:

ELIAS disse...

Eita, companheiro: ainda bem que não puseste aquela minha foto empurrando o fusca. Foi por pouco, hein?

citadinokane disse...

Elias,
Aquela foto é histórica, ahahaha...
Foram para os arquivos da CIA.
Escrever sob o efeito da desgraçada Jamburana pode gerar situações sobrenaturais, existe o risco de seres abduzido da Campina e apareceres boiando no uriboca, sério!
Boiando "na moral" por entre tartarugas gigantes, tucunarés famintos e yara sedenta de uma "forra"... A velha e boa Yara já sabe que tu ficas na barraca quase-fona. Cuidado!!!

André Costa Nunes disse...

Ave, Nelito e Elias,

Apenas uma humilde, mas necessária correção:
- Aqui se diz "buiar" e, se a correnteza ou a maré estiver levando, é "de bubuia".

Larguentudoevenhansimborapracá!

andre

Anônimo disse...

Elias , se te meteram a pecha de tefepista , que acontecerá com teu amigo ; sobrinho e sobrinho-neto de germânicas que deram bolos de palmatória no velho André?????
Acho que vou me disfarçar de Adolfo pra melhor passar , rsrsrs
Pedro fim de novembro , início de dezembro se avizinha e voumeemboralogopralá.
Abraços
Tadeu Schumann

Anônimo disse...

Esqueci de confessar minha ignorância mas como não me envergonho dela aí vai : tive que dar uma pesquisada pra saber quem foi Babeuf.
Tadeu Schumann

ELIAS disse...

E agora, que dilema: vou abduzido ou de bubuia? E já na alça de mira da Iara? Ao menos que eu tenha o direito ao último gole da lombrada Jamburana. Ou vários goles, entre uma última colherada de pato paissandu. O pinto comeu o pato -em vez do vovô (andré) viu a uva, ou a miss, em seus delírios uribolíricos.
Tadeu, o boche: cuidado que o Riozinho do Anfrísio pode querer ir à forra. Daquele igapó, se drenado, sai bem mais do que havia naquele lago do filme "Psicose".
Recomendo, sobre Babeuf, o breve e excelente capítulo que o Edmundo Wilson lhe dedica no maravilhoso "Rumo à EStação Finlândia".
E desse jeito, entrando pelo Uriboca, vamos acabar em Fordlândia, o que não é uma solução, mas é uma rima, ainda que pobre.
Aquele abraço!

citadinokane disse...

André,
Então, que ele fique de "bubuia", mas, o curupira da nascente do uriboca, moleque como só ele, não vai deixar o Babeuf-no-tucupi se afogar, vai rolar umas pedradas no Elias, pra ele ficar esperto, né?!

citadinokane disse...

Tadeu,
Pô tá pertinho!
Boralogopralá.
abs

citadinokane disse...

Tadeu,
Babeuf "pouco mau..."
Te mete com o Elias, mermão! O cara é um caminhão de leituras.
Edmundo Wilson no "Rumo à Estação Finlândia" traça a trajetória dos principais nomes do socialismo, numa história do cotidiano.
No final de novembro o Elias nos revelará o Babeuf à Jamburana, ok?

citadinokane disse...

Elias,
De "bubuia" é melhor, não?!

Anônimo disse...

Ontonces vamos lá : Rumo a estação Finlandia com conexão em Marituba.
fechado
Tadeu

citadinokane disse...

Tadeu,
Rumo à Estação Uriboca.
Amarrado.
abs

Anônimo disse...

Olá fascinante este espaço parece muito organizado.........Boa pinta :/
Gostei muito Continua deste modo !