quinta-feira, janeiro 27, 2011

"Ataíde" o espírito dos manguezais de Curuçá.

O meu amigo J. Pinto, senador vitalício da República do Peixe-frito, me contou a estória abaixo entre uma golada de cerveja e uma amassada de pimenta no prato do peixe-frito...
O carnaval de Curuçá é notícia no Brasil inteiro já que o povo de lá e os turista se melam de lama do mangue e saem brincando os quatro dias de carnaval, uma festa popular e todo mundo na lama.
Muita gente tira o sustento do mangue, coletando principalmente caranguejo, os caranguejos de Curuçá vão para várias partes do Brasil, principalmente Salvador na Bahia.
O mangue tem um protetor, segundo os relatos dos nativos, se chama "o monstruoso ATAÍDE", o espírito de um negro gigante que não deixa ninguém abusar da natureza, quando isso acontece é o Ataíde que abusa do incauto.
Vamos ler!
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O CASO MAIS RECENTE DO ATAÍDE (J. Pinto)

Conheço um rapaz que, tal como o Duquinha (do Helly Pamplona) e o Severino dos Anzóis (do Juraci Siqueira) era ávido por coisas do mangue.
Tido como "cabra-macho", não respeitava nada, principalmente os desafios da natureza.
Certo dia foi catar caranguejo e outros mariscos num lugar muito bonito, nas cercanias de Curuçá, chamado Mãe Grande.
Ele já tinha fama de brabo, macho e comedor. Se mulher, ele não respeitava, imagina aqueles seres inofensivos e deliciosos que ele podia catar no mangal da Mãe Grande.
E, lá foi o sacripanta. Apoitou a canoa na beira do rio e entrou no mangue, pegando tudo o que via pela frente. Caranguejo, turu, ostra, sururu, mexilhão e principalmente as indefesas conduruas (fêmeas do caranguejo).
A colheita estava tão proveitosa que o "machão" nem percebeu que as horas passavam e o anoitecer estava chegando. E ele pensava. Só mais um pouco... Só mais um pouco.
Esse mais um pouco é que foi o pior.
Nosso herói tinha visto um caranguejo entrar num buraco, e foi lá, apesar de saber, por experiência, que ali estava uma condurua e não um caranguejo. Enfiou o braço no buraco e ficou naquela posição de quatro com o rosto colado na lama.
Uma sombra imensa apareceu por cima dele.
Era nada mais nada menos do que o monstruoso Ataíde, o defensor dos manguesais, que com seu corpo imenso e o seu vergalho enorme (como diz o Juraci Siqueira), vinha por trás do safado, pronto para enfiar-lhe o pau.
Nosso depredador quando quis esboçar alguma reação, já era tarde. Naquela posição, só sentiu o enorme vergalho arrombando suas entranhas. Mal teve tempo e forças para dar um grito assustador, espantando as aves que pairavam pelo local.
-Aaaaaaaaaaaiiiiiii...
O Ataíde, depois de soltar toda a colheita que era guardada numa cesta de palha, sumiu pelo mangue, com a certeza de que, aquele arrombado, jamais voltaria àquele lugar.
Passada a dor, a decepção, as lágrimas, nosso herói, já não tão macho nem tão herói, arrastou-se pelo mangal até o rio onde sua canoa estava apoitada, embarcou e saiu remando na direção de Curuçá. Remou em pé, pois com o traseiro naquele estado não conseguia sentar.
O que aconteceu depois pouca gente sabe.
Hoje porém, quem quiser conhecer nosso herói, terá que ir a Curuçá durante o carnaval. Lá está ele, todo lambusado pelo tijuco do mangue, comandando a ala gay dos “Pretinhos do Mangue”, famoso bloco de carnaval daquela cidade.
Ele comanda a ala com desenvoltura, acompanhado de seu namorado, que por ironia do destino, se chama Ataíde. Não tão grandes, nem ele nem o vergalho.

Obs.: Esse conto é fictício, mas se você quiser conhecer a Praia do Arrombado, vá a Curuçá no interior do Pará.

6 comentários:

Anônimo disse...

Ei cara, este Ataíde tambem anda la por Bragança, mais precisamente pelo Ajuruteua.

citadinokane disse...

Ei anônimo!
Tens certeza disso?
O Ataíde é protetor da natureza indefesa, cabôclo brabo...

Anônimo disse...

Tens razão, a natureza por aquelas bandas não anda tão protegida assim, mas te asseguro que o Ataíde anda por la e devidamente acompanhado do Aliuca.

citadinokane disse...

Anônimo,
Égua mano! Aliuca???
A dupla dinâmica Ataíde e Aliuca o "garoto prodígio"?
Por favor maiores explicações...

Karyme disse...

Passei minha infância em Ajuruteua com medo pra caralho desse tal de Ataíde+ desde criança falavam dele como um estuprador tipo a história do homem do saco para as crianças não saírem de casa sozinhas p/ ir no mangue... Mano só sei te dizer que eu morria de medo de sair de casa e ser estuprada kkkkkkk

Karyme disse...

Não entendi foi nada ... Quem é esse outro aí já?