domingo, março 20, 2011

Uma bala

"Eu quis cantar
Minha canção iluminada de sol
Soltei os panos
Sobre os mastros no ar
Soltei os tigres
E leões nos quintais
Mas as pessoas da sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer..."(Gilberto Gil)

O amigo psicólogo Haroldo escreveu-me dizendo que depois de passar uma noite com o Elias Pinto, bebendo e fumando nasceram as linhas abaixo.
Brincadeiras de lado, acho que o papo rolou sobre vida e morte...
Falei recentemente para o amigo lutador de jiu jitsu - Rogério Friza, tenho curtido menos o que antes adorava... Filmes? Só os de ação/policial/007... Ahahaha...
Afinal de contas sou tropicalista, garaio!!!
Querem bala??? Fiquem com a bala do Haroldo.
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Uma bala

Uma bala na agulha
Quando eu ficar velho
Só vai me interessar a lucidez
O que poderia mais me seduzir?

Meus olhos poderão não ver
Ouvirei menos decerto
Talvez esteja em uma cadeira de rodas
Como meu velho pai nos anos que antecederam a sua morte.

Se meu cérebro continuar funcionando valerá a pena viver!

Este escrito é o legado
De uma noite embriagante
Eu, meu amigo e nossas lindas

Todos sem dúvida
Com seu passado
Passado a limpo
Nas horas da madrugada.

O risco é constante
O futuro é agora:
uma bala na agulha
E uma imensa vontade de continuar vivendo.
08/01/2011
Haroldo Brandão

2 comentários:

Ellen disse...

Gostei muito... principalmente dos versos de Gilberto Gil, que eu não conhecia. Mas gostei de Uma Bala de seu amigo pscicólogo também...

citadinokane disse...

Ellen,
O Haroldo virou até personagem de tirinha, é uma figuraça!