quarta-feira, dezembro 14, 2011

A cidade invisível de Jimmy Night

Encontrei hoje com vários blogueiros.
Jimmy Night e seu telefonema a cobrar, meudeus como odeio esses telefonemas a cobrar...
Jimmy me indica uma esquina de Belém onde ele se encontra com outros blogueiros para conspirar, confirmo que chegarei em poucos minutos e assim encontrei Rui Baiano, Vicente Cidade e outros com Jimmy Night na direção da mesa, infelizmente não pude me demorar por conta dos compromissos profissionais.
Vida de blogueiro tão corrida e cheia de utopias, naquela mesa se falava de muitas coisas, se acentuava uma indignação com a administração de nossa cidade, uma centelha a incendiar as nossas convicções de que é possível um outro mundo.
Quando me retirava da esquina de Belém, Jimmy ao se despedir de mim voltou a insistir que ele continua firme em seu compromisso ético com as parcelas esquecidas de Belém...
Ao blogueiro Jimmy Night digo que não duvido de seu compromisso, verdade! 
Por favor meu amigo Jimmy! Não considere a minha sinceridade como uma fraqueza, tome-a, acima de tudo, como virtude.
A conversa de Jimmy em relação a nossa cidade, inevitavelmente, remeteu-me a um livro maravilhoso que li quando estava em retiro espiritual em Havana (Cuba) nos anos noventa, livro escrito por Ítalo Calvino (1923-1985), escritor intrigante, nascido em Santiago de Las Vegas (Cuba), mas que ainda criança foi para a Itália.
O livro de Calvino:  "As Cidades Invisíveis".
Após o papo do Jimmy retribuo todos com um pequeno texto que tem uma profundidade incrível, se alguém pensar em Belém do Pará será uma pura coincidência, o blog esclarece que se trata de uma obra de ficção.
"O atlas do Grande Khan também contém os mapas de terras prometidas visitadas na imaginação mas ainda não descobertas ou fundadas: a Nova atlântida, Utopia, a Cidade do Sol, Oceana, Tamoé, Harmonia, New-Lanark, Icária.
Kublai perguntou para Marco:
- Você, que explora em profundidade e é capaz de interpretar os símbolos, saberia me dizer em direção a qual desses futuros nos levam os ventos propícios?
- Por esses portos eu não saberia traçar a rota nos mapas nem fixar a data da atracação. Às vezes, basta-me uma partícula que se abre no meio de uma paisagem incongruente, um aflorar de luzes na neblina, o diálogo de dois passantes que se encontram no vaivém, para pensar que partindo dali construirei pedaço por pedaço a cidade perfeita, feita de fragmentos misturados com o resto, de instantes separados por intervalos, de sinais que alguém envia e não sabe quem capta. Se digo que a cidade para a qual tende a minha viagem é descontínua no espaço e no tempo, ora mais rala, ora mais densa, você não deve crer que pode parar de procurá-la. Pode ser que enquanto falamos ela esteja aflorando dispersa dentro dos confins do seu império; é possível encontrá-la, mas da maneira que eu disse.
O Grande Khan já estava folheando em seu atlas os mapas das ameaçadoras cidades que surgem nos pesadelos e nas maldições: Enoch, Babilônia, Yahoo, Butua, Brave New World.
Disse:
- É tudo inútil, se o último porto só pode ser a cidade infernal, que está lá no fundo e que nos suga num vórtice cada vez mais estreito.
E Polo:
O inferno dos vivos não é algo que será; se existe, é aquele que já está aqui, o inferno no qual vivemos todos os dias, que formamos estando juntos. Existem duas maneiras de não sofrer. A primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste até o ponto de deixar de percebê-lo. A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: tentar saber reconhecer quem e o que, no meio do inferno, não é inferno, e preservá-lo, e abrir espaço." 
(Ítalo Calvino in "As Cidades Invisíveis")



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