sábado, agosto 25, 2012

Jamburana desgraçada!!!


O cartunista André Abreu sabe o que é Jamburana, olha a tirinha acima.

André Abreu é cartunista de mão-cheia, eu, ele, J.Bosco e Elias Pinto experimentamos juntos a famigerada Jamburana e o resultado foi muito louco...

Encontrei com o velho e bom Xamã André Nunes andando pela 28 de setembro no Comércio e sinceramente não tive como justificar a minha ausência no Terra-do-Meio.
André Nunes é o nosso Xamã dos Xipaias, ele recebeu dos sacerdotes da tribo a missão de produzir a bebida que liga um mundo ao outro mundo... Obrigado André por permitir conhecer essa outra dimensão, é uma experiência muito louca.

Xipaias é uma tribo antiga do Xingú.

O André é um espírito da mata, herdou dos índios Xipaias o poder de "voar" para outros mundos, especialmente quando prepara o licor de Jamburana, só realiza esse preparo em noite de lua cheia e sozinho. Diante do rio uriboca conversa com Yara e pede permissão para mergulhar na nascente do rio, mergulha por entre peixes e tartarugas gigantes que habitam aquelas águas, e sob os olhares atentos dos curupiras que povoam a exuberante mata no entorno da nascente do rio. Quando emerge das profundezas do uriboca, traz um punhado de flores de jamburana roxa, aí senta na margem do rio, fica estático e com os raios do luar refletidos no prateado de suas madeixas, em silêncio com os olhos azuis bem acesos, mastiga algumas flores de jamburana e balbucia um estranho dialeto, entra em transe... O corpo começa a espargir uma luminosidade mais forte que a dos raios do luar... Nesse momento o André Nunes passa a ter acesso e contato com seus aliados: animais, vegetais e minerais. Ele consegue flutuar desafiando as leis do mundo físico, conversa com os animais, interage com os vegetais e minerais com o toque de suas mãos. Seres de outras dimensões e os espíritos ancestrais se reúnem em torno do André e há um comprazimento nesse encontro. Depois que a experiência sobrenatural se esvai, a luz se desfaz e a escuridão toma conta do lugar, André vara pela mata, cambaleante e enfraquecido pela dispersão maciça de ectoplasma, vem ofegante trazendo em suas mãos duas garrafas com a quinta-essência capturada na experiência com outros seres...

O licor de jamburana... É coisa de outro mundo, a língua e lábios ficam trêmulos em crispações e contrações espasmódicas.

Quando me despeço, o velho Xamã abre um sorriso largo, o cigarro na mão direita, mais uma baforada para em seguida pedir que eu espere mais um pouco...

Ele susurra entre baforadas de cigarro: - Não comente com ninguém o que você vivenciou aqui e agora.

Eu respondo pra ele, atordoado: - Deixa comigo!

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