Terça-feira, Fevereiro 09, 2010

Costelas, linguiças e amizades.

No final de semana fui convidado pelo Procurador Municipal Jober Freitas para preparar umas costelas bovinas e linguiças... huuummm... Edilben esteve por lá e outros amigos do Jober que ficaram meus amigos: Junião e Botinho, uns caras maravilhosos!!!
Pensavam que eu não sabia cozinhar, ahahaha... Ficaram lambendo os dedos, os convites estão chegando aos montes, a agenda está lotada, ok?

Segunda-feira, Fevereiro 01, 2010

Solidariedade por um novo mundo, é possível!




"A cobiça envenenou a alma dos homens...
levantando muralhas do ódio...
Mais do que de máquinas,
precisamos de humanidade.
Mais do que de inteligência,
precisamos de afeição e doçura.
Sem essas virtudes,
a vida será de violência
e tudo será perdido.

Os homens que odeiam
desaparecerão,
os ditadores sucumbem
e o poder que do povo
arrebataram
há de retornar ao povo." (Charlie Chaplin)

Sempre me chamou a atenção o personagem criado por Chaplin: - Carlito, o vagabundo!
Extremamente solidário com os pobres, simbolizados pelo garoto e o cachorro, todos desamparados...
Carlito nas películas é o anti-herói, não é charmoso, é pobre... Mas, solidário.
No filme em que contracena com o garoto que é abandonado em sua porta, passa a criar o garoto e ensina toda malandragem para sobreviver num mundo de poucos, que negava à maioria o mínimo de dignidade, daí criar estratégias para sobrevivência...
Quando as autoridades tomam de Carlito o garoto para levá-lo para o orfanato, impossível conter as lágrimas diante da expressão facial do vagabundo e o apêlo da criança para não deixar que se vá com os policiais(autoridades constituídas, o mundo oficial), Carlito vive um mundo marginal, por isso a necessidade de negar a autoridade de um mundo que é cruel para os pobres... Carlito é pobre, o garoto é pobre... O mundo do vagabundo é todo, todo pobre! Mas... solidário.
Abaixo as imagens que o amigo Nilton Atayde envia, lembrando que os meninos que salvam o cachorro da vala, quiçá, do esquecimento, também! Não são notícias de jornal.
Eles não são testemunhas de CPIs, não esconderam dinheiro na meia, não distribuíram panetones... Não arremessaram nenhuma criança pela janela de apartamento...
Não foram selecionados para o BigBrother...
São pobres, pobres indo para a escola...
Movidos por um sentimento, reparem nas fotos, percebam o esforço.
Ajudaram a quem nenhum "bacana" ajudaria, um cachorro vira-lata.
Existia um sentimento que embalava esses meninos, um sentimento que pode realizar coisas grandiosas. Qual o sentimento?
A SOLIDARIEDADE!


Domingo, Janeiro 31, 2010

Pegadinhas em frente do cemitério

Já que o post anterior foi sobre visagem, vamos rir um pouquinho com as pegadinhas em frente ao cemitério.



Assombrações & Visagens de Belém

Desde pequenino escutava a estória de uma moça que pegava um táxi em frente ao cemitério de Santa Isabel e ia até uma casa na Cidade Velha, chegando lá dizia que não tinha dinheiro e pedia para o motorista retornar de dia para cobrar a corrida. Quando o motorista retornava, aí vinha o susto, ficava sabendo que a moça já era falecida há tempo...
É a estória da "Moça do Táxi", o nome da moça Josefina Conte.
A nossa secretária do Conselho de Recursos Fiscais do Município de Belém é prima da moça do táxi, e já nos contou alguns detalhes dessa lenda... Não serei o desmancha prazer, não contarei tudo que sei sobre o caso, ahahaha... Eu sei tudo, mas ficarei silente, deixa o Walcir Monteiro vender mais livros sobre as "Assombrações e visagens de Belém", ele merece!
Abaixo o vídeo feito sobre a Josefina Conte pelos estudantes de jornalismo da UFPA em 2002.

Sábado, Janeiro 30, 2010

Vem, à Esquerda e em frente...

Antes de conhecer o autor da poesia abaixo, sempre relacionava a autoria ao poeta operário Maiakovski, até cheguei a postar aqui no blog sobre o engano que muitos cometeram, inclusive eu. Nilton Atayde e o Locobueres me chamaram a atenção sobre o poeta Eduardo Costa, eles tinham razão... A poesia não era de Maiakovski, mas sim de Eduardo Alves Costa...
Passado o tempo e lendo pausadamente o texto abaixo, renova-se a certeza de que é necessário caminharmos irmanados para a superação do abandono de muitos anos dos esquecidos de todas as periferias do Brasil.
Se o país não for de todos, não será de ninguém!

"No caminho, com Maiacóvski" (Eduardo Alves Costa)
Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiacóvski.

Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.
Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.

Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.

Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.

Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.

Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.

Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.

A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne aparecer no balcão.

Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.

Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.

Mas ao tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.

Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.

E por temor eu me calo,
por temor aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.

Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA !



Excluir os nomes de torturadores e golpistas de 1964 das ruas de Belém.

A Rede Globo, SBT e Bandeirantes insistem em tratar igualmente nos seus telejornais os heróis brasileiros que lutaram contra a ditadura e os torturadores do regime militar.
Está errado!
O que mais incomoda são os comentários que colocam no mesmo patamar os heróis brasileiros denominados por essas redes de “guerrilheiros” e os torturadores.
Não existe notícia que a resistência brasileira tenha torturado... O regime militar brasileiro em conexão com outros regimes militares da América Latina torturavam continuamente.
Por favor! Não insistam.
Moro em Belém do Pará, Amazônia brasileira.
Lanço uma proposta para os nossos vereadores de Belém: - Vamos revogar os nomes de rua que homenageiam torturadores e golpistas.
Em Belém temos várias ruas com nomes de sanguinários torturadores, colaboradores e golpistas de 1964.
Em memória dos que morreram defendendo a liberdade e a justiça – Retirem os nomes de ruas e logradouros públicos, peloamordedeus!


Quinta-feira, Janeiro 28, 2010

Enchentes pelo mundo.

Calma!
Não é em São Paulo.
Na Ásia.
Agora, será que este é o melhor lugar para fugir da enchente?!




Mergulhados na lama de São Paulo.

Depois ficam chateados com os pobres.
Será que o Serra e o Kassab se tivessem as suas residências até o talo de água imunda, ficariam calmos???
O pior de tudo, a desgraça acontecendo na capital e no interior de São Paulo, parecia que o Serra não tinha nada a ver com isso...
É preciso separar o joio do trigo, o que é de São Pedro? Qual a parte do Serra e Kassab?
Não vale falar que tudo é culpa da chuva enviada por São Pedro e ficar inerte diante da desgraça que se abate sobre o Pantanal comunidade próximo do Tietê - 50 dias com as casas e ruas inundadas, não dá!
Os especialistas estão falando que é preciso limpar a calha do rio Tietê e tomar outras providências que até os garis do Bóris sabem.
O que é revoltante: Serra e Kassab agem como autistas.
Pode falar, parece que eles estão em outro mundo...
E ficam putos com as manifestações dos pobres... Ficam chateados...
E até dizem: - Esses caras são chatos!





Quarta-feira, Janeiro 27, 2010

De mãos dadas para enfrentar o mundo!

Cláudio Jorge, em nome de toda a turma de Direito da FAP, fez contato comigo para comunicar-me que estou na relação dos professores homenageados pelos formandos de fevereiro de 2010. Agradeço de coração a lembrança, muito singela... Obrigado!
Queridos alunos e alunas que neste momento estão rezando (culto que antecede a formatura) por terem conseguido superar mais uma etapa em suas vidas, saibam que gostaria de orar com todos vocês... Cinco anos se escoaram rapidamente na ampulheta do tempo, muitas vivências, muitas emoções...
Deixo a poesia de Carlos Drummond como uma bússola, a consciência de que não vivemos isolados e que em nosso mundo, em nossa cidade, existem pessoas que precisam de profissionais éticos, comprometidos com a cidadania.
Caminhemos de mãos dadas, afastando o egoísmo insano para proporcionar um presente repleto de solidariedade humana sem o pessimismo derrotista que embota a esperança.

À frente! De mãos dadas!

Mãos dadas (Carlos Drummond de Andrade)
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, do tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

Segunda-feira, Janeiro 25, 2010

Poetisa esquecida: Adalgisa Nery.


Dá-me tua mão
E eu te levarei aos campos musicados pela
canção das colheitas.
Cheguemos antes que os pássaros nos disputem
os frutos,
Antes que os insetos se alimentem das folhas
entreabertas.

Dá-me tua mão
E eu te levarei a gozar a alegria do solo
agradecido,
Te darei por leito a terra amiga
E repousarei tua cabeça envelhecida
Na relva silenciosa dos campos.

Nada te perguntarei,
Apenas ouvirás o cantar das águas adolescentes
E as palavras do meu olhar sobre tua face muito
amada.
(Adalgisa Nery)

[Adalgisa Maria Feliciana Noel Cancela Ferreira, nome de batismo de Adalgisa Nery, foi poeta, jornalista, prosadora e política. Nasceu no Rio de Janeiro, filha de um funcionário municipal. Órfã de mãe desde os 8 anos, estudou como interna num colégio de freiras. Aos 16 anos, casou-se com o pintor paraense Ismael Nery, um dos precursores do modernismo. O casamento durou até a morte de Ismael, em 1934. Adalgisa lançou seu primeiro livro, Poemas, em 1937. Abandonou a literatura e passou a dedicar-se ao jornalismo. Também adotou a política. Foi deputada três vezes pela legenda do Partido Socialista Brasileiro. Depois do golpe militar de 1964, passou ao MDB e foi cassada em 1969. ]

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