domingo, outubro 29, 2017

Abandonados

As coisas que se abandonam...

Retomo a publicação no espaço virtual que um dia eu chamei de "meu blogue".

O reset para retomar a tarefa de compartilhar impressões sobre o mundo que me rodeia, veio da audição da música de Adriana Calcanhoto:
♫ "Eu ando pelo mundo prestando atenção ♪ Em cores que eu não sei o nome ♩Cores de Almodóvar  ♬Cores de Frida Kahlo, cores…"♫
E realmente, eu ando pelo mundo prestando atenção em tudo!
Abandonei o mundo jurídico, fui estudar arquitetura, uma paixão que ficou guardada no lado esquerdo do peito. 

Formas, linhas, curvas, cores...
Estudar arquitetura. 

Uma paixão interrompida depois de um ano de estudos, compromissos profissionais me forçaram a dar uma "paradinha", as aulas intensas de arquitetura não combinaram com os meus compromissos profissionais.

Fiz vestibular, novamente, e ano que vem já irei me formar em "Produção Multimídia".

Muito estimulante estudar fotografia, roteiro, vídeo, design gráfico... Gosto disso tudo!

Abandonar o "Direito", largar 25 anos de magistério superior, era necessário... Era necessário trilhar novos caminhos, reencontrar a magia da descoberta, conhecer o que não se conhecia.

Um pequeno texto de Fernando Teixeira de Andrade (1946-2008) sobre aquele momento que temos que tomar uma decisão na vida... 
"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos".
  1. Duas imagens postadas, foram captadas em momentos distintos, mas que representam o abandono, talvez uma travessia, de quem? Não sei. um par de sandálias usadas, gastas, abandonadas na rua, esquecidas.
  2. um par de sapatos usados, gastos, abandonados na rua, esquecidos...


domingo, janeiro 03, 2016

Tudo que é sólido desmancha no ar...



Do livro de Marshall Berman, edição brasileira de 1992,  título: Tudo que é sólido desmancha no ar: a aventura da modernidade. Editora Companhia das Letras.


No século XX, os processos sociais que dão vida a esse turbilhão, mantendo-se num perpétuo estado de vir-a-ser, vêm a chamar-se "modernização". (Marshall Berman)
O título do livro é extraído do "Manifesto do Partido Comunista" de Marx e Engels, uma passagem em que Marx sustenta que todas as instituições existentes se desfazem diante das contradições do sistema capitalista, tudo que é sólido se desmancha no ar...
A "modernidade" que se impunha ao final do século XVIII tem um porta-voz: Jean-Jacques Rousseau. 
Para Berman Rousseau  é a matriz de algumas das mais vitais tradições modernas, do devaneio nostálgico à auto-especulação psicanalítica e à democracia participativa... 
Na sua romântica novela A Nova Heloísa, Rousseau fala através do jovem herói - Saint-Preux, que realiza um movimento exploratório - um movimento arquetípico para milhões de jovens nas épocas seguintes - do campo para a cidade. 
Saint-Preux depois de chegar à cidade, ele escreve para sua amada Julie, das profundezas do turbilhão social - Paris.

Após alguns meses nesse meio, eu começo a sentir a embriaguez  a que essa vida agitada e tumultuosa me condena. Com tal quantidade de objetos desfilando diante de meus olhos, eu vou ficando aturdido. De todas as coisas que me atraem, nenhuma toca o meu coração, embora todas juntas perturbem meus sentimentos, de modo a fazer que eu esqueça o que sou e qual meu lugar.
Ainda estamos impregnados desses sentimentos? 
O que faz a multidão nos templos religiosos? As pessoas continuam buscando saber: o que sou e qual o meu lugar?
Finalizo sem dar respostas, reproduzirei a fala de Nietzsche, não sei se acalmará os corações dos incautos: 

A moderna humanidade se vê em meio a uma enorme ausência e vazio de valores, mas, ao mesmo tempo, em meio a uma desconcertante abundância de possibilidades.(Nietzsche)